CRÍTICA: O Escândalo (Bombshell)

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Um pouco antes do movimento #MeToo se tornar popular, em 2017, aconteceu uma série de denúncias contra Roger Ailes, presidente e executivo-chefe da Fox News, emissora americana de notícias abertamente conservadora. O caso e suas consequências são agora retratados em “O Escândalo”, que estreia no Brasil, em 16 de janeiro.

Com um elenco de peso, o filme ganha pela atuação. Não à toa, Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie já foram indicadas às principais premiações de cinema. Elas vivem, respectivamente, Megyn Kelly, Gretchen Carlson e Kayla Pospisil. Enquanto as duas primeiras foram âncoras da emissora, a última é uma personagem fictícia. John Lithgow também chama a atenção, como Roger.

Connie Britton e Alisson Janney também fazem um bom trabalho juntas. Elas interpretam, respectivamente, a esposa e a advogada de Roger. Atuando apenas com o olhar, as duas conseguem representar o pacto silencioso onde elas fingem que acreditam nas mentiras de Roger, porém nenhumas das duas se enganam.

O roteirista Charles Randolph mantém as cenas pedagógicas que marcaram “A Grande Aposta”, seu filme anterior, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro, em 2016. Porém, aqui, elas surgem de forma mais discreta, menos non-sense e condizendo mais com a proposta do filme. Ao invés de uma Margot Robbie explicando o que é subprime em uma banheira de espuma, vemos Charlize Theron em uma reportagem sobre o Império Fox.

Um dos pontos positivos do filme dirigido por Jay Roach (Austin Powers) é a forma com que Roger é retratado. De maneira bem equilibrada, “O Escândalo” não nega os erros de Roger. Pelo contrário, o longa defende que Ailes errou e deve pagar por isso. Ainda assim, ele não é um psicopata sem qualquer escrúpulos. O filme até busca algumas características que explicam – mas jamais justificam – seu comportamento, como traumas do passado e paranoia, mas seu comportamento deve ser visto como inaceitável. Infelizmente, a mesma sutileza não acontece com relação a Donald Trump, que é criticado de forma recorrente durante o longa.

O filme pouco explora porque algumas mulheres, defendem os erros de Roger. Ambição? Autodefesa? Medo de serem demitidas? Ética profissional? Não importa. Independente das razões, não são elas que estão erradas, e sim, Roger (ou qualquer outro assediador). E essa é uma das mensagens que o filme tenta passar, mas que poderia ficar um pouco mais clara. Mais que um filme sobre assédio e feminismo, “O Escândalo” aborda como pactos sociais e relações de trabalho podem ajudar a sustentar injustiças.

Trailer de “O Escândalo”

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