“Roda Viva” estreia no Rio de Janeiro

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A nova montagem de “Roda Viva”, clássico do teatro brasileiro, estreia dia 8 de novembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Com texto de Chico Buarque e direção de Zé Celso, o espetáculo fica em cartaz até o dia 1º de dezembro. “O teatro é o aqui agora. Ele projeta o futuro sim, mas a partir da energia presente”, conta o diretor Zé Celso.

De acordo com Zé Celso, a nova montagem atualiza o texto para o Brasil de 2019. “Inserimos: agro negócio, memes, notícias que acontecem a cada semana e a presença da internet, que é muito central no musical”, revela Zé.

Sobre Roda Viva

Roda Viva - Camila Mota
Foto: Jennifer Glass

A nova montagem estreou em dezembro de 2018 e ficou em cartaz por quase um ano em São Paulo, com casa lotada. A intenção é, também na temporada carioca, trazer ao público a urgência de diversas questões da atualidade nos campos cultural, social, político, ecológico, econômico e tecnológico.

A dramaturgia de Roda Viva conta a trajetória, de ascensão e queda, de Benedito Silva (Roderick Himeros), cantor e compositor de sucesso. O personagem é inventado e  manipulado pela máquina político-midiática. A trama se desenvolve pelas intervenções do Anjo da Guarda (Gui Calzavara) e do Capeta (Joana Medeiros e Zé Ed). Eles fazem de Benedito o cantor de grande sucesso popular Ben Silver, herói pop. Haverá uma terceira metamorfose que colocará em cena Benedito Lampião, cantor “bem brasileiro, bem violento”.

Mané (Marcelo Drummond) é o amigo de juventude do protagonista, que durante todo o espetáculo fica na mesa do bar, e tem sua genialidade fabricada, monitorada pelo jogo entre Anjo, Capeta e coro. Quando Benedito é, enfim, devorado pelo coro, sua esposa Juliana (Camila Mota), que o substituiria como novo ícone da cultura, se liberta da formatação imposta e propõe ao coro e à multidão um novo acordo de produção de vida e desalienação.

Roda Viva - Zé Celso
Foto: Jennifer Glass

Espetáculo sofreu censura na montagem de 1968

Em 17 de janeiro de 1968, no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana, o músico Chico Buarque estreava como dramaturgo – sob direção de Zé Celso Martinez Corrêa, com Marieta Severo, Antônio Pedro, Heleno Prestes, entre outros no elenco – o musical RODA VIVA. No mesmo ano, em julho, Marília Pêra, Rodrigo Santiago, Zezé Motta e mais 30 artistas, iniciavam a temporada paulista. Meses depois, 110 pessoas do grupo paramilitar Comando de Caça aos Comunistas – CCC – invadem o Teatro Galpão, espancam o elenco e destroem o cenário da peça. 13 de dezembro de 1968, o governo militar decreta o Ato Institucional nº5, que suprimiu garantias constitucionais e marcou a chegada do mais duro período da ditadura. RODA VIVA torna-se um ícone da liberdade de expressão, da resistência e da contribuição das artes e do teatro para consolidação da democracia brasileira.

RODA VIVA em 68 foi massacrada, uma horrível repressão. Isso me fez decidir voltar, agora, com a peça. A polícia invadiu a apresentação em São Paulo, em Porto Alegre também. As atrizes e o elenco foram agredidos. “Roda viva não representa nada. Ela presenta. Não é teatro de representação. A gente chama de “tragicomédiaorgia”, define o diretor. O texto foi atualizado e aponta fenômenos culturais como o sertanejo universitário e as redes sociais. Narra à ascensão e queda de um ídolo popular, Benedito Silva/Ben Silver. Zé Celso acrescentou duas músicas de Chico que não estavam na montagem original: “As caravanas” e “Cordão”.

Companhia organiza financiamento coletivo

Até 13 de novembro, a Cia Teatral Oficina Uzyna Uzona realiza um financiamento coletivo. Para doar, basta acessar o site da Benfeitoria. Com a verba arrecadada, a Oficina pretende quitar todo o custo de produção da temporada carioca.

A primeira meta foi atingida e contempla o restauro da sede do Oficina. Na meta 2, o valor arrecadado será destinado para transportar cenários; locar equipamentos de luz, som e vídeo; hospedar artistas e técnicos no Rio de Janeiro.

Não há patrocínio para montagem e manutenção das 4 semanas em cartaz na Cidade das Artes. As apresentações – com toda estrutura do espetáculo no Rio – custam 830 mil reais.

Até o dia 7 de novembro, às 17h, a campanha arrecadou até pouco mais de 210 mil reais de um total de 246 mil reais.

Roda Viva

Cidade das Artes – Av. das Américas, 5300 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ.

De 8 de novembro a 1º de dezembro.

Sextas, às 20h. Sábados e domingos, às 19h.

Duração: 4h (com intervalo de 15 minutos)

Ingressos:

Plateias e frisas – R$ 120 (inteira), R$ 60 (meia).

Galerias baixas e altas – R$ 90 (inteira), R$ 45 (meia).

Colabore com o financiamento coletivo da montagem: benfeitoria.com/oficina

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