Isadora Gondim comenta trabalho na série “Ellas” que estreia nessa sexta-feira

Natural do Rio Grande do Norte, a atriz Isadora Gondim passou por uma experiência inédita em sua carreira como atriz com a produção da série “Ellas” produzida pela Linha Produções, que estreara nessa sexta-feira (12), combinando certinho com o Dia dos Namorados.

Em entrevista à Luca Moreira, Gondim conta detalhes sobre os bastidores do novo projeto, além de falar sua opinião sobre o meio artístico no Brasil. Confira!

Como está sendo fazendo parte da série “Ellas” e quais estão sendo suas expectativas para o lançamento?

Estou muito feliz em fazer parte da websérie! O convite foi bastante inesperado, já estava há mais de um mês em quarentena, começando a perder as perspectivas futuras de trabalho. Apesar de tudo que estamos passando, “Ellas” veio em boa hora, pois de repente eu tinha que me ocupar com 16 episódios para estudar e gravar. A série lança sexta, 12 de junho, e estou bem ansiosa! O canal da Linha Produções tem bastante inscritos, várias pessoas terão oportunidade de assistir. Espero que gostem, se identifiquem e contem para a gente o que acharam.

Ultimamente estamos passando por momentos difíceis no mundo, sendo que a série teve que ser inteiramente gravada à distância. Esses métodos trouxeram novos desafios para você?

Se não fosse a pandemia, com certeza, nem estaria atuando na série, porque meus planos teriam sido completamente outros. Gravar à distância tem sido bem desafiador pois sinto a falta do contato, de contracenar, de ser dirigida pessoalmente. Eu adoro ser dirigida. Mas pela internet, também dá. Acabamos conseguindo gravar muito mais em pouco tempo, devido à simplicidade do roteiro e o fato das cenas serem só por chamada de vídeo. Normalmente, por questões de deslocamento, custos de produção, gravaríamos menos em um período de 1 semana. Nesse modelo atual, fazemos 3 ou 4 episódios. Estudo o texto e a personagem num ritmo mais acelerado. Isso é desafiador.

Foto: Divulgação

Natural do Rio Grande do Norte, nos últimos tempos você vem se estando em diversos lugares como São Paulo e no Rio de Janeiro. Como foram essas mudanças e o que elas significaram na sua vida?

Mudou tudo! Cresci como artista e como pessoa. Estudei e aprendi muito. Percebi que o cenário artístico e cultural de Natal-RN é mais lento, principalmente quando se trata de investimento para o audiovisual. Falta interesse das pessoas para assistir e apoiar efetivamente, também. Então, acaba que eu me vejo correndo atrás desses objetivos no eixo Rio-SP ou fora do Brasil, por mais que eu ame de paixão a minha cidade. Quem trabalha com teatro, tv e cinema realmente depende da visibilidade. Até agora só tive um ano de experiência fora do Nordeste, mas pretendo prolongar, quando for possível, onde houverem as melhores oportunidades. Em São Paulo, pediam muito para mudar meu sotaque, mas vejo que é o que tenho de mais precioso. Eu falo como falo, do jeito da minha terra. Já minhas personagens, se adaptam ao que os roteiros pedirem. Mas faltam sim personagens nordestinos nas histórias. O Nordeste é uma parte grande, significativa e linda do Brasil. Precisa ser mais valorizado, bem como os artistas vindos de lá.

Você acha que atualmente a atuação está conseguindo sustentar os atores? Quais as melhorias que a produção independente possa estar trazendo para o mundo culturalmente?

Acho que a atuação só sustenta atores e atrizes de grandes emissoras ou associados à grandes empresas. Nosso país tem uma cultura muito feia de considerar que o artista independente não tem uma profissão de verdade. Nosso trabalho é árduo e merece ser pago, como qualquer outro. Se a arte independente tivesse investimento, o Brasil estaria presente em todas as premiações internacionais possíveis com suas produções. É onde está a arte que não serve a indústria cultural. Fazemos coisas lindas aqui. Nosso cinema poderia crescer a economia do país, educar as pessoas, em vários sentidos, ajudá-las a entender cultura como uma das coisas mais importantes para uma nação.

Foto: Divulgação

O seu trabalho nos painéis da Rio Web Fest foi muito importante para você. Poderia nos contar um pouco como foi esse momento?

Tinha muito interesse de saber mais do mundo das webseries. Por intermédio da escola de atuação que eu estudava, em agosto de 2019, trabalhei como voluntária no SP Web Fest, uma versão muito menor e mais empresarial do mesmo festival, no Rio. Em SP, trabalhei abrindo portas, arrumando cadeiras, e me oferecendo para ajudar com qualquer coisinha que estivesse ao meu alcance se algum membro da equipe precisasse. Fazendo isso com muita simpatia e boa vontade, 2 meses depois fui convidada pelo idealizador para ser voluntários no Rio Web Fest, como apresentadora de painéis. Uma das funções com mais visibilidade porque eu passava o dia quase todo ao vivo na página oficial do Facebook, entrevistando os realizadores sobre suas produções. Foi um crescimento muito legal de um festival para o outro. E foi uma experiência de trabalho tão valiosa! Conheci muitas pessoas, muitas séries, fiz alguns contatos, me apresentei para todo mundo que eu podia como atriz e já vem dando resultado. Por causa disso que fui chamada para fazer Ellas! O conselho que dou é, sempre dê o melhor de si em qualquer trabalho que for fazer. Nenhum papel é pequeno para um grande ator.

A série trata sobre o amor LGBTQ+, como você acredita que tem sido a recepção do público em relação à produção? O país está mais receptivo?

A comunidade LGBTQI+ luta todos os dias por aceitação, direitos e respeito. Acredito que a arte tem um grande papel nisso. A arte imita a vida, né? Mas o preconceito ainda existe e ainda é muito grande. A maioria dos conteúdos da Linha Produções tem temática LGBT mas fala sobre coisas que vão muito além disso. Amor é o tema principal. Quanto mais amor houver espalhado no mundo, mais rápido essa luta avança. Nossa série também existe para isso. Espero que recebam bem.

Foto: Divulgação

Como foi a seleção de elenco para a série?

Eu me senti muito chique pois fui convidada! Olhe só! As meninas da Linha me conheceram no Rio WebFest, conhecerem meu trabalho e confiaram desde o início que eu toparia e faria bem o papel da Joana. Me senti especial por ter sido chamada, mesmo estando em Natal. Queria muito trabalhar com elas.

Quais são as maiores dificuldades na vida de um artista no Brasil?

Com certeza, depender de pessoas que pouco se importam e também não receber nosso devido valor. Artistas são tão fundamentais. Os artistas brasileiros, especificamente, são tão especiais e únicos. É uma pena que se valorize muito mais o que é de fora, do que o nosso. Que se pague para assistir no cinema um blockbuster hollywoodiano, mas não um filme nacional. Uma peça de teatro não pode custar caro. Muito menos um couvert para um artista num barzinho. A gente tem que lembrar que na maioria das vezes, quem é grande, começa pequeno e precisa de apoio para crescer. Falta que as pessoas entendam a importância da nossa profissão para as suas vidas, para o país, para a economia girar, para a cabeça da população pensar. A gente gosta muito de trabalhar e quer muito poder fazer isso de forma digna. Viver da arte. Para mim, pelo menos, é tudo que tenho, e batalho diariamente pelo meu espaço.

O que os fãs podem esperar de “Ellas”?

Primeiro, espero que gostem! Temos uma história de amor proibido, acontecendo em tempos de quarentena, com duas mulheres muito diferentes, mas que não deixam de estar se descobrindo. Estamos falando sobre amor de uma forma virtual, para essa época de isolamento que estamos vivendo. Tomara que se identifiquem, se encontrem nas personagens e na história. Tô com uma expectativa bem legal pro que vem aí. É um novo modelo de atuação, também. Sem contracenar pessoalmente. Então, são várias coisas novas para os fãs experimentarem assistir e sentir.