NEGÓCIOS
Esqueça a imagem clássica da criança implorando por um boneco na vitrine. A indústria de brinquedos, que por décadas dependeu exclusivamente da mesada e do poder de persuasão dos pequenos, encontrou um novo “Dono do Dinheiro”: o Kidult (junção de kid + adult).
Pela primeira vez, nos EUA, os lares sem crianças já respondem pela maioria das compras do setor; um mercado que movimenta impressionantes US$ 50 bilhões por ano. O que era um nicho de colecionadores virou a estratégia central das grandes marcas.
O despertar do mercado adulto
A tendência ganhou tração global durante a pandemia, quando o isolamento forçado despertou a necessidade de formas lúdicas de desconexão. Em 2020, enquanto o setor vinha de anos de queda, as vendas nos EUA saltaram 16%. O movimento foi tão estratégico que gigantes como a Lego pivotaram seu posicionamento com a campanha “Adults Welcome”, abrindo as portas do mercado de luxo e decoração para um público que não quer crescer; ou, pelo menos, não quer deixar o lado lúdico de lado.
Brasil: O fenômeno chegou com força
Se você pensa que isso é um movimento apenas lá fora, os dados brasileiros mostram o contrário:
- Crescimento acelerado: O público adulto já representa 17% do mercado brasileiro de brinquedos, com um crescimento expressivo de 92% este ano.
- O efeito “Copa”: O engajamento dos adultos foi determinante. Licenças oficiais, como a da FIFA, injetaram R$ 111 milhões a mais no caixa do setor em um curto período.
- Cultura Pop: Brinquedos colecionáveis e itens de franquias como Pokémon lideram a lista de desejos.
A matemática do lucro
A estratégia por trás do crescimento é clara: o licenciamento. Marcas atreladas a filmes, jogos e séries de streaming já respondem por 35% do faturamento total do setor no Brasil (eram 26% há apenas três anos). No e-commerce, a fatia de mercado de “carrinhos e bonecas” subiu para 29%, acompanhada de um salto de 42% nas vendas online este ano.
O que isso significa para o investidor?
A indústria de brinquedos deixou de ser um setor sazonal de Dia das Crianças para se tornar um player relevante no mercado de lifestyle e entretenimento adulto. O cliente “Kidult” não compra pelo preço, mas pela experiência e pelo valor emocional da marca.
Para as empresas, o recado é direto: o maior potencial de crescimento para o setor de brinquedos não está mais nos parques ou nas escolas, mas no bolso do adulto que, após um dia cansativo de trabalho, quer reencontrar o seu personagem favorito na estante da sala.
Fique por dentro das transformações nos hábitos de consumo e nas grandes movimentações do mercado aqui na coluna Universo Empresarial.


