“Magnólia” tem como base o álbum “A Tábua de Esmeralda” e traz um olhar principalmente feminino sobre a obra de Jorge Ben Jor
A atriz e diretora premiada Marina Esteves chega ao Rio de Janeiro com o seu monólogo “Magnólia”, livremente inspirado na música homônima de Jorge Ben Jor, depois de uma longa temporada de sucesso em São Paulo. A temporada, de 12 de março até 5 de abril, acontece no Sesc Copacabana.
A produção narra a fábula sobre uma deusa astronauta que vive na dimensão azul e rosa por entre estrelas e cometas até encontrar um cavaleiro negro, São Jorge. Ele propõe a ela uma missão: descer para a Terra e experimentar o que é ser humana. Na Terra, depois da queda, ela passa por 6 diversas transformações até se tornar uma mulher negra. Neste corpo, ela experimenta o que é essa vivência, com todos os prazeres da sua existência.
“A música Magnólia é uma música muito misteriosa. É uma possível metáfora para um mito latino-americano de uma deusa, uma divindade que vive no cosmos. E quando ela cai na terra, ela nasce em forma de flor. Essa foi uma das inspirações para que a gente criasse a dramaturgia. É uma música que tem muito swing e que fala sobre a beleza da vida, sobre essa flor, mas que também pode ser uma nave espacial. Mas que vem ao mundo para trazer alegria”, explica a atriz.
A construção do espetáculo nasce da trajetória pessoal de Marina. Nascida e criada na periferia da cidade de São Paulo, cresceu entre o samba, pagode e rock, além de Jorge Ben Jor, por influência dos pais. “Falar de Jorge Ben Jor é também honrar essa trajetória dos meus pais e da música popular brasileira, a música negra popular brasileira, que faz parte da minha constituição enquanto cidadã, mulher negra nesse mundo, e que também faz parte da trajetória dos meus pais e também de quem veio antes”, conta. Mas para Marina, sua relação com a obra de Jorge Ben Jor é ainda mais profunda.
“A primeira música que eu cantei na minha vida foi ‘W/Brasil’, e esse foi o disparador para a construção do espetáculo. Nesse desejo de investigar o nascimento da voz, eu perguntei para a minha mãe qual foi a primeira música que eu cantei, e ela disse ‘W/Brasil’. Então, o nascimento do meu canto vem da sonoridade e das letras de Jorge Ben Jor na minha vida. E quando cresci, tive entendimento de todo o contexto político da sua obra, o quanto também fala sobre espiritualidade, sobre o nosso reconhecimento, autonomia e representatividade enquanto pessoas negras”, conta a atriz.
A dramaturgia do monólogo envolveu dois anos de pesquisa na obra do cantor junto de Lucas Moura, que também escreveu o texto do espetáculo. Para além de “A Tábua de Esmeralda”, a dupla quis trazer à tona outros macrotemas que existem na obra de Jorge Ben, como futebol, as mulheres e musas, a filosofia hermética, a idade média, a própria relação com a religiosidade que envolve ali o catolicismo, mas que também perpassa.
Marina é a responsável pela concepção, idealização, direção e dramaturgia do espetáculo, além de atuar. “Assumir essas diversas frentes do espetáculo reforça uma característica do meu trabalho quanto artista, que é o lugar de pensar uma obra teatral pelo todo, que vai perpassar por diversas áreas, que também englobam estética e linguagem, a música e a dança que são vertentes muito importantes da minha pesquisa artística”, conta. O espetáculo já teve temporada em São Paulo.
“O grande marco dessas circulações de ‘Magnólia’, até então, foi no Centro Cultural São Paulo, através da Curadoria de Gui Miralha, onde ocupamos a sala Jardel Filho, uma sala grande no coração da cidade de São Paulo. A sala tem cerca de 300 lugares, e houveram pessoas que não conseguiram entrar devido à hiper lotação da casa. Lotar uma casa importante no território nacional nesta curta temporada com artistas negros e periféricos foi uma realização muito especial para a vida do espetáculo e na minha carreira. Acho que foi o dia mais bonito da minha trajetória”, relembra.
Agora, Marina e sua equipe realizam o sonho de aterrissar no Rio de Janeiro com o espetáculo. “Apresentar no Sesc Copacabana, que é do lado da atual residência de Jorge Ben, que até onde sabemos, reside no Copacabana Palace. A gente está do ladinho dele, e é como entrar em contato com a fonte, a sua terra natal, as suas inspirações. Pisar num território onde as afirmações e as inspirações do Jorge Ben são muito presentes”, celebra.








“Trazer um olhar feminino para a obra de Jorge Ben Jor é um exercício de autonomia. Ele canta muitas mulheres, ainda que pela perspectiva da musa ou do amor platônico. Aqui, o meu exercício de autonomia e liberdade é trazer essas mulheres para a cena de modo fabular para ouvirmos a voz delas sempre reverenciando o legado de Jorge Ben. Para mim, mulher negra artista, é um momento de enraizar minha pesquisa com a performance da música, dança e a palavra, revelando e aprofundando nas possibilidades de contar as nossas histórias”, conta.
Aos 34 anos, Marina Esteves coleciona diversos feitos marcantes na sua carreira, que se iniciou aos 17 anos, em oficinas de teatro. Ela se formou na Escola Livre de Teatro de Santo André, no Clube de Formação de Atores e Atrizes, e depois fez formação de humo na SP Escola de Teatro.
A atriz destaca o espetáculo “Gota d’água Preta”, com concepção, idealização e direção de Jé Oliveira, como um ponto alto de sua carreira, onde interpretou a antagonista de Jussara Marçal. Além da temporada no Rio de Janeiro, a peça rodou em Portugal, e foi considerado o melhor espetáculo do ano pelo jornal português O Público. A produção foi indicada ao Prêmio Shell e venceu melhor direção no Prêmio APCA 2019.
Marina também integrou o elenco de “Bom dia, eternidade” com direção de Luiz Fernando Marques Lubi; “Desfazenda – Me enterrem fora desse lugar”, direção Roberta Estrela d’Alva; “A Divina Farsa”, da Cia La Mínima com direção de Sandra Corveloni. Como diretora, assinou a direção geral e direção de movimento do espetáculo “Pa-rá – Rio de memórias”, vencedora do Prêmio APCA de melhor monólogo infanto-juvenil em 2025, e o espetáculo “Ere Ayê” de Luz Ribeiro.
Como atriz convidada, colaborou com coletivos de teatro em SP, como Coletivo Estopo Balaio, Teatro da Conspiração, Cia La Minima e Poleiro do Bando, atuando em suas montagens. Mariana também soma em sua trajetória três premiações como melhor atriz em festivais teatrais nacionais. Atuou como bailarina profissional em cias de dança contemporânea sob direção de Miriam Druwe, Henry Camargo e Claudia Nwbalisili, entre 2013 a 2017.
A temporada carioca de “Magnólia”, de 12 de março e até 5 de abril, segue no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro, com ingressos de R$15 a R$30 disponíveis no Ingresso.com (https://www.ingresso.com/evento/magnolia).
Instagram: https://www.instagram.com/vimvermarina/
SERVIÇO
Temporada: 12/03 a 05/04
Local: Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos
Ingressos: R$15 (meia), R$30 (inteira)
Link de venda:https://www.ingresso.com/evento/magnolia

