Atriz, que é uma das referências do teatro musical brasileiro, participa do podcast Ser Artista, apresentado por Marcus Montenegro, e compartilha histórias de sua trajetória, bastidores e aprendizados
Com uma trajetória marcada por grandes personagens e importantes trabalhos no teatro musical brasileiro, Sylvia Massari é a convidada da semana do podcast Ser Artista, apresentado pelo empresário e produtor Marcus Montenegro. Durante a conversa, a atriz revisita diferentes momentos de sua carreira e reflete sobre o que, para ela, faz um artista realmente se conectar com o público.
Ao falar sobre os atores que atualmente protagonizam grandes musicais, Sylvia chama atenção para uma questão que considera fundamental: a técnica não pode se sobrepor à emoção.
“Você vê hoje em dia no palco de grandes musicais protagonistas maravilhosos, com vozes maravilhosas, que são aplaudidos em cena, mas que, ao invés de se entregar de alma, pensam na técnica que precisam colocar na voz. E quando você só pensa na técnica, a voz fica fria”, afirma.
A atriz também se emociona ao relembrar o trabalho do marido, o produtor musical Guto Graça Aranha, que morreu este ano. Segundo Sylvia, uma das grandes qualidades do produtor era justamente conseguir fazer com que os artistas ultrapassassem os limites técnicos para encontrar novas possibilidades de interpretação.
Ela conta, por exemplo, uma história envolvendo o cantor e ator Daniel Boaventura. Segundo Sylvia, Daniel chegou ao estúdio para uma gravação bastante seguro de sua preparação e afirmou que já sabia como fazer. Durante o processo, porém, Guto foi conduzindo o artista por outro caminho. O resultado surpreendeu até o próprio Daniel, que terminou a gravação emocionado e chorando.
“Ele saiu chorando do estúdio, dizendo que não sabia que podia cantar daquela forma”, relembra Sylvia, que não economiza elogios ao talento do marido para trabalhar com atores cantores. “Ele tinha um dedo mágico.”
Ao revisitar os reconhecimentos que recebeu ao longo da carreira, Sylvia destaca entre os muitos prêmios um carinho especial pelo troféu de Melhor Atriz da APTR. Para ela, a premiação representa um reconhecimento importante de uma trajetória construída com dedicação ao ofício.
A história profissional de Sylvia, no entanto, começou muito antes dos grandes palcos. Em uma das lembranças mais curiosas da entrevista, ela conta que, quando trabalhava como recepcionista da General Motors, chegou a conhecer Roberto Carlos em uma situação bastante inusitada: durante a compra de um carro. Anos depois, a atriz ainda guarda o desejo de contar pessoalmente ao cantor essa história.
Entre os trabalhos que marcaram sua trajetória, Sylvia também relembra uma de suas personagens de maior sucesso em as Noviças Rebeldes, em um período em que dividiu a cena com nomes como Wolf Maya e Cininha de Paula.
A lembrança, aliás, vem acompanhada de uma história divertida. Sylvia conta que era muito tímida e praticamente não falava palavrões antes de interpretar a personagem. Maria Nerd, porém, tinha uma personalidade completamente diferente da sua e era bastante desbocada. Foi justamente por causa dela que a atriz começou a incorporar expressões que antes não faziam parte de seu vocabulário.
Entre histórias de bastidores, lembranças pessoais e reflexões sobre o ofício, Sylvia Massari mostra no Ser Artista que sua relação com o palco vai muito além da técnica. Para a atriz, é a entrega, a emoção e a capacidade de tocar o público que fazem um artista permanecer na memória.


