qui. mar 26th, 2026

Filme “Nova Terra” propõe um sertão entre o real e o encantado





Longa do cineasta Fram Paulo, que deverá ser lançado no segundo semestre de 2026, aposta na força poética da paisagem e na fusão entre teatro e cinema para construir uma experiência sensorial no semiárido cearense

O cinema produzido no interior do Ceará ganha novos contornos estéticos e narrativos com o longa-metragem “Nova Terra”, dirigido pelo cineasta Fram Paulo, que entra em sua etapa final de finalização após ser contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Mais do que uma obra sobre o Sertão Central do Ceará, o filme se propõe como uma experiência sensorial que tensiona as fronteiras entre realidade e mito, teatro e cinema, história e imaginação.

Distanciando-se de uma abordagem tradicional de narrativa linear, “Nova Terra” constrói uma linguagem própria ao integrar elementos performáticos, poesia e uma forte dimensão simbólica do território. Para o diretor, o desafio central foi transformar o espaço em uma presença viva dentro da dramaturgia.

“O sertão não é um vazio. Ele respira, ensina, guarda memórias e revela forças invisíveis a quem sabe escutar. Sempre digo que o sertão é um universo e há o sertão dentro e fora de mim”, afirma Fram Paulo. “No filme, ele deixa de ser pano de fundo e passa a agir diretamente sobre os personagens, conduzindo conflitos e transformações.”

A narrativa acompanha sete jovens artistas de teatro que se isolam no Semiárido para montar um espetáculo. No entanto, o processo criativo do grupo acaba atravessado por forças que extrapolam o campo artístico, levando-os a uma imersão em camadas profundas do território.

Essa relação entre teatro e cinema não é apenas temática, mas estrutural. A formação cênica do diretor influencia diretamente a construção estética do longa, que valoriza o corpo, a palavra e a presença dos atores em diálogo com a paisagem.

“Antes de qualquer formação acadêmica, minha experiência com arte veio do terreiro, do reisado, das histórias contadas à noite. Eu já fazia teatro sem saber. Em ‘Nova Terra’, essa raiz aparece na forma como os corpos ocupam o espaço e como a palavra ganha força dentro da imagem”, explica. “O teatro me permitiu criar um cinema possível, feito com os recursos que tínhamos, mas sem abrir mão da potência poética.”

Filmado em locações como Senador Pompeu e Quixeramobim, no interior cearense, o longa também mergulha em referências reais do Sertão Central, como a Pedra do Letreiro e a mística da Serra do Encantado. No entanto, esses elementos são ressignificados dentro de uma lógica simbólica que articula o que o diretor define como “Sertão Visível” e “Sertão Invisível”.

“Existe o sertão da matéria, da pedra, da seca, mas existe também o sertão encantado, onde habitam as memórias e as forças ancestrais. O filme nasce desse encontro. A imaginação poética entra não para substituir a história, mas para iluminar aquilo que foi silenciado”, destaca o cineasta.

Esse equilíbrio entre pesquisa e criação foi um dos pontos mais delicados do projeto. Ao lidar com referências aos povos originários, Fram Paulo optou por uma abordagem que reconhece os limites da documentação histórica e valoriza a tradição oral como ferramenta de reconstrução simbólica.

“Há muito apagamento na história oficial. Muitos registros foram feitos pelos próprios colonizadores. Então, foi preciso cuidado para não folclorizar nem simplificar essas narrativas. O universo mítico do filme é uma releitura, construída com respeito e escuta”, afirma.

Outro aspecto que ganha relevância nesta etapa final é a inclusão de recursos de acessibilidade, como audiodescrição e legendagem descritiva — um processo que, segundo o diretor, tem provocado uma revisão profunda da própria obra.

“Estamos praticamente reinventando o filme. A acessibilidade não pode ser um detalhe técnico. Ela precisa fazer parte da experiência. Isso nos fez repensar ritmo, som, silêncios. É um aprendizado intenso e necessário”, pontua.

Com duração de 70 minutos, “Nova Terra” também dialoga com questões contemporâneas ao abordar temas como crise ambiental, escassez de água e preservação das sementes crioulas, tratados no filme como símbolos de continuidade e futuro.

“A água, a terra e a semente não são recursos, são fundamentos da vida. O que eu busco é provocar uma reflexão sobre reconexão. Uma ‘Nova Terra’ não nasce de fora, nasce de dentro, de uma mudança de consciência”, afirma Fram Paulo.

A previsão é que o filme seja lançado no segundo semestre, iniciando sua circulação pelo próprio Sertão Central antes de alcançar outros territórios. A escolha reforça o compromisso do projeto com o lugar de origem — não apenas como cenário, mas como fonte de sentido.

Mais do que um longa-metragem, “Nova Terra” se apresenta como uma obra que tensiona linguagens e propõe um novo olhar sobre o Semiárido, onde arte, natureza e imaginação se entrelaçam na construção de um cinema profundamente autoral.

Sobre Fram Paulo
Cineasta, produtor e artista do audiovisual natural de Senador Pompeu, no Sertão Central do Ceará, Fram Paulo é uma das vozes autênticas do cinema nordestino contemporâneo. Fundador e CEO da Uzina Filmes Produções desde 2005, ele construiu uma trajetória marcada pela investigação da memória, das tradições culturais e dos impactos históricos na vida das comunidades do Semiárido.

Ao longo de mais de uma década de trabalho, Fram Paulo dirigiu, produziu e assinou diversas obras que transitam entre documentário e ficção — sempre com um olhar sensível sobre identidade, território e resistência cultural. Entre seus trabalhos mais significativos estão o documentário Memórias do Campo de Concentração da Seca de 1932 (2021), que recupera uma página dolorosa da história regional, e a série documental A Rainha e Seus Reis de Barro (2021).

No campo da ficção, Menino de Carvão (2009) destacou-se ao conquistar prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia no Festival Nordestino de Cinema do Piauí, e Dona Caroba (2014) demonstrou a versatilidade do cineasta, assumindo funções de roteiro, direção, fotografia e edição. Mais recentemente, Fram contribuiu artisticamente para a produção e fotografia do projeto Os 7 Campos, ampliando ainda mais sua presença no cenário audiovisual independente.
Em “Nova Terra”, ele dá sequência a esse percurso autoral ao transformar memórias locais, lendas ancestrais e a convivência com o semiárido em um filme que reafirma o sertão como protagonista e espaço simbólico de resistência e criação cultural.



Serviço
Filme: Nova Terra
Direção: Fram Paulo
Duração: 70 minutos
Gênero: Ficção
Previsão de lançamento: Segundo semestre de 2026
Locações: Senador Pompeu e Quixeramobim (CE)


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Filme “Nova Terra”
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