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A “Wonder” quer reinventar o jantar: Startup aposta em cozinhas automatizadas para dominar o delivery

NEGÓCIOS E TECNOLOGIA

Com um valuation que supera os US$ 9 bilhões, a empresa de Marc Lore desafia o modelo de delivery tradicional ao unir tecnologia de ponta, curadoria de chefs famosos e automação em escala.

Você abre o aplicativo e, em vez de escolher entre vários restaurantes diferentes, se depara com uma “praça de alimentação virtual”. Essa é a proposta da Wonder, startup liderada pelo bilionário Marc Lore; o mesmo nome por trás de vendas históricas para Amazon e Walmart. A empresa quer mudar a forma como comemos, centralizando a produção de dezenas de marcas em unidades próprias altamente automatizadas.

De “vans” a império multibilionário

A trajetória da Wonder não foi linear. O que começou em 2018 como um experimento de “cozinhas móveis” em vans, provou ser ineficiente. A virada de chave veio com uma estratégia agressiva de aquisições: a empresa comprou a Blue Apron, a plataforma de delivery Grubhub e até a rede de mídia Tastemade.

O modelo atual, que a empresa insiste não ser uma dark kitchen, funciona assim: os ingredientes são preparados em centrais e finalizados nas lojas pelos funcionários ou por robôs. O resultado? Pratos de chefs renomados (como Bobby Flay e José Andrés) entregues em 30 minutos e com preços até 30% mais competitivos que os aplicativos convencionais.

A tecnologia como motor de lucro

O grande trunfo da Wonder é a automação. No final de 2025, a empresa investiu US$ 186 milhões na tecnologia Infinite Makeline, da Sweetgreen, capaz de montar 500 refeições por hora. A promessa é reduzir custos de mão de obra em 20% e aumentar drasticamente a capacidade de produção. Sem cobrar taxa de entrega e controlando toda a cadeia (da cozinha ao motoboy), a Wonder consegue uma eficiência que o modelo de marketplace dos apps comuns não permite.

O desafio do crescimento vs. sustentabilidade

Nem tudo é “receita de sucesso”. Com mais de US$ 1 bilhão gasto em aquisições, a empresa ainda opera sob o peso do prejuízo. O grande desafio agora é o teste de escala:

  1. Aprovação do público: As avaliações nas redes sociais são mistas. A Wonder precisa provar que o consumidor volta pelo sabor, e não apenas pelo desconto promocional.
  2. A “Uberização” dos restaurantes: A empresa prepara para novembro a Wonder Create, plataforma que permitirá a influenciadores e marcas criarem seus próprios restaurantes virtuais por apenas US$ 10 mensais. A Wonder cuida da “máquina” (cozinha e entrega) e o criador entra com a marca.

De olho no futuro

A meta para 2026 é atingir uma receita de US$ 2 bilhões, com um plano ambicioso de abrir 100 unidades só no Texas até o fim de 2027. O horizonte final? Provavelmente um IPO, levando a Wonder para a bolsa de valores e consolidando o modelo como o novo padrão das praças de alimentação urbanas.

Dica do Universo Artístico: A Wonder é o exemplo perfeito de como a tecnologia pode transformar setores tradicionais em “indústrias de escala”. Se eles conseguirem padronizar a qualidade dos pratos de chefs renomados em larga escala, estarão prestes a criar o “McDonald’s da era do streaming”. É uma história para acompanhar de perto, tanto pelo lado da inovação quanto pelos riscos financeiros envolvidos.


Acompanhe as disrupções tecnológicas que estão mudando o nosso dia a dia aqui na coluna Atualidades.

Imagem: WTOP News
Imagem: Wonder

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