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Glicério do Rosário celebra trajetória com temporada de solos premiados no Teatro Feluma

TEATRO MINEIRO

Com dois espetáculos que transitam entre a masculinidade contemporânea e a espiritualidade, o ator (atualmente no ar na TV Globo) reafirma seu compromisso com o teatro de investigação.

O mês de novembro será marcado por um encontro potente com a dramaturgia mineira no Teatro Feluma. O ator, dramaturgo e diretor Glicério do Rosário, que pode ser visto atualmente na novela “Quem Ama Cuida” (TV Globo) interpretando o personagem Enéas, ocupa o palco da capital mineira com dois de seus solos mais expressivos: “PAI” e o premiado “São Francisco de Assis à Foz”.

“PAI”: O espelho da masculinidade

Abrindo a programação no dia 8 de novembro, “PAI” é uma obra que nasceu no contexto da pandemia, mas que ganhou corpo e urgência nos palcos. Sob a direção de Geraldo Octaviano, o solo explora as contradições do discurso patriarcal e a urgência do afeto na paternidade contemporânea.

Através de três personagens distintos (um professor de história e pai solo, um ator engajado em rodas de paternidade e uma podcaster) Glicério propõe uma reflexão sobre como o Estado, enquanto “pai simbólico”, e a figura paterna real se cruzam em um debate sobre omissão, presença e responsabilidade.

“Toda a minha experiência de pai, marido e filho atravessa a concepção da obra”, revela o artista.

“São Francisco de Assis à Foz”: Um clássico que retorna

No dia 22 de novembro, a Cia P’atuá resgata a montagem que deu origem à companhia em 2008. Vencedor dos prêmios Sesc-Sated nas categorias de Melhor Espetáculo, Direção e Ator, “São Francisco de Assis à Foz” é um marco na carreira de Glicério.

Inspirada na obra de Nikos Kazantzakis, a montagem faz um paralelo poético entre o santo de Assis, que renunciou à riqueza, e o Rio São Francisco, que atravessa o sertão. É uma peça de “teatro físico” puro, onde a expressividade do ator é o motor da narrativa. Mais do que uma encenação histórica, a peça se mostra urgente ao tratar dos impactos ambientais e das tensões sociais em torno da transposição do “Velho Chico”.

Serviço: Temporada Cia P’atuá

Se você busca um teatro de investigação, que coloca o corpo e a palavra como ferramentas de reflexão social, esta temporada é obrigatória.

  • Onde: Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275 – 7º Andar, Centro, Belo Horizonte).
  • 08 de novembro (domingo): “PAI”, às 19h.
  • 22 de novembro (domingo): “São Francisco de Assis à Foz”, às 19h.
  • Ingressos: Disponíveis na plataforma Sympla.

Dica do Universo Artístico: Glicério do Rosário é um dos nomes mais sólidos da cena mineira e vê-lo em formato solo é a melhor forma de entender a precisão do seu trabalho como intérprete. A sugestão é acompanhar as duas montagens para ver o alcance do ator: da crueza das relações familiares contemporâneas à espiritualidade épica do homem de Assis. Uma maratona teatral de altíssima qualidade.


Acompanhe a agenda dos palcos e o melhor do teatro brasileiro aqui na nossa coluna Cine, TV & Teatro.

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