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TOKIODK encerra jornada de autodescoberta com Estilhaços de Um Anjo Rebelde: 3º Ato

Anti-herói. É assim que o rapper TOKIODK se define. Distante da imagem endeusada do tradicional protagonista, o artista encontra nessa figura contraditória uma representação mais humana de si mesmo, marcada por  conflitos, autonomia e disposição para reconhecer os próprios erros. Em Estilhaços de Um Anjo Rebelde: 3º Ato, lançado pela Warner Music, o artista encerra uma jornada de autodescoberta iniciada nos projetos anteriores, Infração e Estilhaços e Cicatrizes, retornando ao próprio divã para confrontar as memórias que moldaram sua trajetória. (OUÇA AGORA)

Com oito faixas, o álbum conclui a trilogia iniciada em Infração: 1º Ato e continuada em Estilhaços e Cicatrizes: 2º Ato. Neste capítulo final, TOKIODK retoma o encontro com sua psicóloga para elaborar as questões levantadas nos trabalhos anteriores. Depois do desabafo, o artista aprofunda suas reflexões sobre as próprias experiências, buscando compreender as marcas deixadas pelo passado e reconhecer tanto as virtudes quanto as falhas que constituem sua identidade.

“O Anjo Rebelde é o cara que, ao mesmo tempo que é muito leal, verdadeiro, sincero e parceiro, que tem vários princípios e preza pela família, também tem vários defeitos. É um cara que tem problema em lidar com regras, com gente falsa, com gente bajuladora, que não consegue ser cínico”, explica o artista.

Musicalmente, o disco percorre diferentes vertentes da música urbana, transitando entre o hood trap e o jerk drill. A diversidade sonora acompanha a complexidade temática do projeto, que articula análises sobre ambiguidades entre amor, ódio, dor e a relação do artista com o mundo ao seu redor.

Indo além, o repertório também conecta diferentes gerações e vertentes da música brasileira através das participações de MC Hariel e MC JVila, que por vez levam ao projeto a força estética e melódica do funk paulista, gênero que, para além de sua dimensão musical, se afirma como ferramenta de emancipação das periferias.

Representando a nova geração do trap carioca, o jovem Brutos ajuda a construir a paisagem sonora da narrativa ao integrar o álbum na faixa “Chegou o Dia”, que apresenta uma história de superação construída a partir da própria trajetória do artista. Aos 24 anos, o cria da comunidade da Cruzada evidencia a potência criativa do gênero, explorando seus limites estéticos e técnicos enquanto traduz, por meio da música, vivências e perspectivas da juventude do território.

Mas os destaques especiais não param por aí. Entre as referências musicais, “Cara Teimoso” incorpora o sample de “Se Eu Quiser Falar com Deus”, composição de Gilberto Gil, lançada em 1981. Ao se relacionar com o canção, TOKIODK estabelece conexões entre diferentes gerações da música brasileira e aproxima sua linguagem artística da tradição da MPB. Em especial, a referência à obra de Gilberto Gil dialoga com a espiritualidade presente na narrativa do álbum, articulando a memória musical brasileira às questões que atravessam sua identidade artística.

“Esse anjo está longe de representar a figura de um anjo caído ou que se rebelou contra Deus. Na verdade, é uma analogia à própria condição humana: um personagem que reúne falhas e virtudes, mas cujas qualidades se sobressaem. Embora a referência dialogue com a crença, a ideia também propõe uma reflexão sobre a noção de salvação. Acredito que uma pessoa de bom coração pode ser salva, mesmo que cometa pecados e carregue suas próprias contradições”, finaliza.

Com Estilhaços de Um Anjo Rebelde: 3º Ato, TOKIODK encerra a trilogia sem idealizar a própria imagem enquanto transforma os próprios conflitos em matéria-prima para sua criação, o artista conclui um ciclo de investigação pessoal que encontra na música um espaço para elaborar o passado e compreender quem se tornou.

Ouça agora 

Créditos: Fabrizio Toniolo / Yan Vieira Alves

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