De motorista de aplicativo ao Top 2 da Netflix: ator paraense Phellipe Marques celebra sucesso de “Dom de Iludir”
Natural de Belém, artista enfrentou dificuldades financeiras no Rio de Janeiro e agora integra o elenco da série brasileira que conquistou o segundo lugar entre as mais assistidas da plataforma no país
A série brasileira “Dom de Iludir” estreou há poucos dias e já conquistou o segundo lugar entre as produções mais assistidas da Netflix no Brasil, ficando atrás apenas da nova temporada de “Lupin”. Entre os atores que celebram a repercussão está o paraense Phellipe Marques, que interpreta um policial civil do setor antissequestro na trama dirigida por Mauro Mendonça Filho. A conquista tem um significado especial para o artista, que chegou a trabalhar como motorista de aplicativo para conseguir se manter no Rio de Janeiro enquanto buscava oportunidades na televisão e no cinema.
Natural de Belém, Phellipe deixou o Pará determinado a construir uma carreira no audiovisual. A mudança, porém, veio acompanhada de dificuldades financeiras, incertezas e da necessidade de conciliar a atuação com outras atividades profissionais. Hoje, ao ver uma produção da qual participa entre as mais assistidas do país, ele reconhece o valor de cada etapa dessa trajetória.
“Eu costumo dizer que cada participação é uma conquista, um novo degrau que a gente sobe na construção de uma carreira. Não é simples deixar sua terra, suas referências, chegar a uma cidade como o Rio de Janeiro sem conhecer os profissionais do mercado e, principalmente, sem que eles conheçam você. É preciso construir tudo praticamente do zero, conquistar confiança, demonstrar competência e, acima de tudo, resistir às dificuldades que aparecem pelo caminho”, conta.

Estrelada por Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta, “Dom de Iludir” mistura suspense, conflitos familiares e reviravoltas em uma trama ambientada na elite carioca. A produção estreou em 28 de outubro e rapidamente ganhou espaço no ranking nacional da Netflix. Para Phellipe, integrar o elenco representa mais uma conquista após sua participação em “Man on Fire”, produção internacional gravada no México, em 2024, na qual contracenou com Alice Braga.
“Os sonhos também precisam encontrar maneiras de sobreviver à realidade. Participar de Dom de Iludir, ao lado de grandes nomes da dramaturgia brasileira e sob a direção de Mauro Mendonça Filho, representa uma conquista profissional extremamente relevante. Cada personagem é uma oportunidade de mostrar aquilo que venho construindo ao longo dos anos”, afirma.
Na série, o ator interpreta um policial civil em uma participação pontual. Para construir o personagem, recorreu à experiência no teatro e à observação de profissionais que exercem funções de autoridade. O desafio, segundo ele, foi transmitir credibilidade mesmo com pouco tempo em cena.
“O desafio não é simplesmente vestir a roupa de um policial, mas fazer com que o espectador acredite naquele homem, mesmo que ele apareça por pouco tempo. É um exercício de síntese, de construir uma identidade convincente em poucas cenas. E isso exige do ator experiência, sensibilidade e capacidade de transformar suas referências em verdade diante das câmeras”, explica.
Os bastidores também renderam uma história curiosa. Durante o teste, Phellipe recebeu a orientação de tornar o personagem mais carioca e acabou incorporando expressões locais ao texto. A interpretação contribuiu para sua aprovação, mas, no dia da gravação, o diretor percebeu que algumas falas haviam sido modificadas.
“Ele olhou para o roteiro, olhou para mim e disse, surpreso: ‘Peraí, nada do que tu disseste está aqui!’. Comecei a rir, e ele, com firmeza, mas também de maneira muito acolhedora, explicou que qualquer alteração precisava passar primeiro pela direção”, relembra.

Apesar das conquistas, Phellipe reconhece que a carreira artística continua marcada pela imprevisibilidade. Para ele, cada trabalho representa uma oportunidade de ampliar sua presença no mercado e abrir caminhos para novos personagens, inclusive em produções internacionais.
“Nossa profissão é marcada por muitas incertezas. Existem momentos em que recebemos tantos nãos que acabamos questionando até nossa própria capacidade. Por isso, quando uma produção reconhece o seu trabalho e escolhe você entre tantos profissionais talentosos, existe ali uma validação muito importante”, destaca.
Mesmo longe de Belém, o ator faz questão de manter suas raízes presentes na trajetória profissional. A identidade paraense também inspira João Pinguelo, personagem que criou a partir de referências culturais de sua terra natal. Para outros artistas que desejam seguir carreira fora de seus estados, ele deixa uma mensagem de persistência.
“Não permitam que os muitos nãos recebidos ao longo da caminhada sejam maiores do que a força de um único sim. Belém tem artistas extraordinários, pessoas de um talento imenso, e acredito profundamente na capacidade desses profissionais de conquistar novos espaços”, afirma.
Entre os dias em que dirigia pelas ruas do Rio de Janeiro para pagar as contas e o momento em que passou a integrar uma das produções mais assistidas da Netflix no país, Phellipe encontrou na persistência a principal ferramenta para continuar sua trajetória.
“Existe algo muito especial em poder exercer a profissão que você escolheu por amor, ser reconhecido por ela e receber uma remuneração justa pelo seu trabalho. Para mim, essa combinação representa a realização de um sonho”, conclui.




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