“Eu não escolhi o surdo. Foi ele quem me escolheu”, conta Maria Fernanda, de 21 anos, que está ensaiando todo dia para fazer bonito na avenida com a bateria do Percussomos do Amor. O desfile será o segundo do bloco e acontecerá às 8h do dia 22 de fevereiro, na Praça Duque de Caxias, no Gragoatá, em Niterói.
Maria Fernanda é uma dos cerca de 70 ritmistas que vão puxar o bloco. Boa parte deles aprendeu a tocar na oficina de percussão do projeto Práticas Acessíveis, realizado pelo Instituto Teatro Novo, que atende a pessoas com deficiência.
Maria Fernanda, que tem síndrome de Down, é conselheira municipal titular de pessoas com deficiência no Conselho de Direitos Humanos da Cidade e vai se desdobrar para curtir muito o carnaval. Isso porque antes vai estar ligada nos desfiles das escolas de samba. Ela torce para a Mangueira e, é claro, para a Viradouro. Depois desse esquenta, vai viver a expectativa de desfilar mais uma vez:
“Estou muito feliz. Porque vai ser maravilhoso. Estou muito emocionada”, diz a percussionista.
O bloco nasceu da ideia de mais uma oportunidade de inclusão para todos no carnaval. O primeiro ano foi um sucesso, o que motivou ainda mais os integrantes e o instituto para fazer bonito outra vez em 2026.
Este ano, o samba “Trabalhar é direito” defende as políticas de inclusão para as pessoas com deficiência no mercado, inclusive ressaltando o emprego apoiado, que inclui a disponibilidade de ferramentas e locais acessíveis para que esses funcionários rendam cada vez melhor. O samba será puxado por Paulo Zerbinni, que é cadeirante.
“Não é favor”, é direito” é a mensagem que os tambores e nas vozes do Percussomos do Amor pretende passar, com o compromisso de enfrentar o capacitismo e fazer um carnaval onde todos possam ser felizes.
O desfile contará com uma estrutura de acessibilidade plena, incluindo intérpretes de Libras e comunicação alternativa, incluindo pirulitos com símbolos para que os integrantes do bloco possam sinalizar suas necessidades durante a apresentação. Haverá ainda abafadores sonoros para quem precisar e uma tenda de acolhimento para pessoas com transtorno do espectro autista.
O Percussomos do Amor é amparado por legislações como a Lei Brasileira de Inclusão, a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Lei Municipal 3.821/2023 e a Lei 4.063/2025. O patrocínio é da Prefeitura de Niterói, da Neltur – Niterói Empresa de Lazer e Turismo e tem apoio da Secretaria Municipal das Culturas.
Serviço
Bloco: Percussomos do Amor
Data: 22 de fevereiro de 2026 (domingo)
Concentração: 8h
Saída: 10h
Local: Praça Duque de Caxias – Gragoatá (ao lado do Forte)
Trajeto: Praça Duque de Caxias – Forte – retorno à Praça Duque de Caxias
Duração: 4 horas (2h de concentração + 2h de desfile)
Patrocínio: Prefeitura Municipal de Niterói | Neltur | Secretaria Municipal das Culturas
SOBRE O BLOCO
Bloco Percussomos do Amor leva protagonismo de pessoas com deficiência ao Carnaval de Niterói em 2026
O Carnaval de Niterói ganha novamente as ruas com o Bloco Percussomos do Amor, uma das iniciativas mais potentes e transformadoras da folia niteroiense. Em 2026, o bloco desfila no dia 22 de fevereiro, no Gragoatá, reunindo cerca de 800 foliões, sendo pelo menos 300 pessoas com deficiência, em uma celebração marcada por ritmo, diversidade e afirmação de direitos.
O Percussomos do Amor conta com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Niterói, por meio da Neltur – Niterói Empresa de Lazer e Turismo, e com o apoio da Secretaria Municipal das Culturas, integrando oficialmente o calendário da programação dos blocos da cidade.
Criado a partir da oficina de percussão do projeto Práticas Acessíveis, do Instituto Teatro Novo, o bloco é resultado do desenvolvimento de metodologias artísticas da instituição voltadas a pessoas com deficiência. Desde sua estreia, em 2025, quando reuniu mais de 600 pessoas, o Percussomos do Amor consolidou-se como um espaço de criação coletiva, convivência e ocupação do espaço urbano por corpos historicamente invisibilizados nas grandes festas populares.
Carnaval como direito
Em 2026, o bloco leva para a avenida o enredo “Trabalhar é direito”, que defende o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho e destaca o emprego apoiado como ferramenta fundamental para garantir autonomia, dignidade e valorização de talentos. O samba-enredo convoca a sociedade a romper preconceitos, reconhecer habilidades reais e abrir portas para trajetórias profissionais possíveis e justas.
“Não é favor, é direito” é a mensagem que ecoa nos tambores e nas vozes do Percussomos do Amor, reafirmando, ano após ano, o enfrentamento ao capacitismo e a construção de um carnaval mais plural.
Acessibilidade e protagonismo
O desfile contará com uma estrutura pensada para garantir acessibilidade plena, incluindo intérpretes de LIBRAS, audiodescrição ao vivo, comunicação alternativa e aumentativa (CAA), apoio à mobilidade, abafadores sonoros e tenda de acolhimento para regulação de pessoas do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ritmistas, puxadores, lideranças artísticas e integrantes da bateria são, em sua maioria, pessoas com deficiência, reforçando o protagonismo no centro da cena cultural.
Além do desfile, o projeto prevê ensaio aberto em praça pública, no dia 08 de fevereiro, na Praça da Bicicleta, também no Gragoatá, fortalecendo a relação com o território, ampliando a participação de famílias, cuidadores e da comunidade, e promovendo o carnaval como espaço contínuo de formação, escuta e expressão artística.
Referência nacional
Amparado por legislações como a Lei Brasileira de Inclusão, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Lei Municipal nº 3.821/2023 e a Lei nº 4.063/2025, o Percussomos do Amor reafirma o Carnaval de Niterói como política pública cultural comprometida com diversidade, cidadania e democratização do acesso à festa.
Ao ocupar as ruas com música, afeto e posicionamento político, o bloco projeta Niterói como referência nacional em práticas culturais anticapacitistas, transformando o carnaval em um território de pertencimento, visibilidade e celebração da pluralidade humana.



