ter. ago 18th, 2026

“A construção de cada personagem é um sofrimento”, revela Alexandre Nero no podcast “Ser Artista”



Reconhecido por interpretar personagens marcantes na televisão, no cinema e no teatro, Alexandre Nero foi o convidado do podcast “Ser Artista”, apresentado por Marcus Montenegro. Em uma conversa que percorreu diferentes momentos de sua trajetória, o ator falou sobre processo criativo, personagens, referências, carreira e também sobre as transformações pessoais que levaram para a sua arte.

Questionado por Marcus Montenegro sobre a preparação para interpretar personagens com habilidades específicas, Nero revelou que não costuma seguir uma preparação baseada em técnicas ou aulas específicas. Para ele, o prazer está justamente no processo de construção.

“Não faço nada, nunca fiz. Eu adoro o processo. Acho que eu gosto mais do processo. Adoro ensaiar no teatro, por exemplo. Passar três meses ensaiando. Depois que eu começo a apresentar, nem gosto tanto”, contou.

O ator também falou sobre sua relação com os diretores e sobre a importância do diálogo durante a criação de uma cena. Segundo Nero, embora defenda suas escolhas, reconhece a hierarquia e respeita a decisão final da direção.

“Em uma cena que eu esteja criando e o diretor não concorde, eu aceito sempre uma conversa, sem se esquecer da hierarquia e ele tem que ser respeitado. Eu debato, mas a última palavra sempre é dele”, afirmou.

Durante a entrevista, Marcus Montenegro destacou a intensidade da carreira de Nero e lembrou um dos personagens que mais marcaram sua trajetória: o Comendador José Alfredo, protagonista de “Império”, novela de Aguinaldo Silva. O papel foi um divisor de águas na carreira do ator e o projetou definitivamente como protagonista.

“Foi o papel que me projetou como protagonista e esse papel mexeu comigo, mas depois mexeu muito mais”, revelou Nero.

A trajetória pessoal também apareceu na conversa. Alexandre Nero ficou órfão aos 17 anos e contou como essa experiência atravessou sua formação e, de alguma maneira, também passou a fazer parte de sua maneira de atuar.

“Foi um trauma irreversível e tudo que passei faz parte das cenas que faço. Cada ator tem um processo e isso é maravilhoso. Cada colega de trabalho tem um processo diferente do outro, o que me encanta muito. Cada um é diferente do outro, o que é lindo e rico demais”, refletiu.

Ao falar sobre a profissão, Nero não romantizou o ofício de ator e definiu a construção de um personagem como um processo intenso e, muitas vezes, doloroso.

“Ser ator pra mim é um peso muito grande, uma responsabilidade, é muita pressão. É uma profissão que é uma incógnita pra mim. A construção de cada personagem pra mim é um sofrimento”, afirmou.

A conversa também ganhou um tom descontraído quando o assunto passou pelos grandes galãs da história da televisão brasileira. Nero destacou Tarcísio Meira como um nome insubstituível, não apenas pela beleza, mas principalmente pelo talento e pelo porte que, segundo ele, definiram uma época.

“Nunca houve na história outro igual. Hoje em dia tem vários homens galãs, mas com o porte do Tarcísio não. Depois vieram homens bonitos com sexy appeal, mas galã não. Não foram deuses gregos”, comentou.

Brincando com a própria imagem, o ator ainda falou sobre como passou a se enxergar de maneira diferente ao longo dos anos. “Eu nunca me achei galã. Hoje em dia eu brinco: ‘Eu não quero ser talentoso, eu quero ser bonito’”, disse.

Nero contou ainda que os cuidados com a saúde contribuíram para essa nova percepção sobre si mesmo: “Eu sou um ex-gordinho, uma cara sem graça, mas hoje, grisalho e cuidando mais da saúde, tenho personal trainer, tenho dermatologista, posso cuidar da minha saúde. Por isso que hoje em dia eu sou mais bonito do que eu era.”

Com bom humor, reflexão e revelações sobre sua trajetória, Alexandre Nero mostrou no “Ser Artista” que, por trás dos personagens que conquistaram o público, existe um ator que encara a profissão como um processo permanente de descoberta — e que continua encontrando novas maneiras de se reinventar.

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