A pergunta que move a nova fase da TDQ é simples: por que quem produz conteúdo precisa de um intermediário para chegar à própria audiência? Foi a partir dela que a cineasta Eve Cosendey e a produtora executiva Andréa Lucena decidiram transformar a TUDO QUE EU QUERO PRODUCOES em uma plataforma independente, com espaço próprio para reunir as obras, receber o público e distribuir o que produz.
Eve e Andréa são casadas, mães da pequena Luiza, e constroem a produtora sob um olhar que privilegia narrativas femininas e LGBTQIA+, dentro e fora das câmeras. A ideia, segundo Eve, é encurtar a distância. “A minha inspiração para ter uma plataforma própria é realmente falar com o meu público de forma direta. Não precisar de um intermediário, de uma ponte para chegar até ele”, diz.
O ambiente digital será mais do que um site institucional. O público poderá assistir às produções, conhecer os projetos e mandar mensagens à produtora. YouTube e Instagram seguem no jogo, mas como vitrine, não como único caminho. “Eu quero comunicação direta. Quero que o público encontre a gente em apenas um clique”, afirma Eve.
Entre os conteúdos que estreiam nesse formato está a websérie “Não Costumo Me Apaixonar por Telefone”, com Luciana Vendramini e Giselle Tigre. A obra funciona como teste da tese: produzir e também decidir como e onde ela chega ao espectador.
Há ainda um lado de negócio. Com mais controle sobre distribuição e relacionamento, e aos poucos sobre a monetização, a TDQ pretende montar um ecossistema sustentável para as próprias produções. Fora do Brasil, a produtora articula parcerias com cineastas e profissionais do audiovisual LGBTQIA+ nos Estados Unidos. Os nomes seguem em sigilo e serão revelados mais adiante.
A vontade de fugir da dependência dos algoritmos é legítima, e qualquer produtor independente sabe o quanto ela pesa. Quem já viu um trabalho autoral ficar refém de alcance orgânico entende a inquietação de Eve.
Mas o intermediário que ela quer dispensar também entrega uma coisa valiosa: gente. Plataformas grandes trazem descoberta, e um endereço próprio, por melhor que seja, começa vazio. O caminho de “um clique” só funciona para quem já sabe que precisa clicar, e a TDQ vai precisar de uma comunidade que a procure por conta própria. É aí que a estratégia de manter as redes como canal de divulgação faz sentido, e é aí também que ela será testada.
A ambição está declarada por Eve: “Eu e a Andréa queremos criar nossa própria indústria artística sem depender de terceiros.” É um projeto grande para uma produtora independente, e justamente por isso vale acompanhar. O sigilo sobre os nomes americanos gera curiosidade, mas será o conteúdo, e o público que ele conseguir reunir, que dirá se a TDQ construiu uma plataforma ou só um novo endereço.

