qui. jan 1st, 2026

Cantor Duda Ribeiro ensina banho de ervas para o réveillon e fala sobre fé, cura, superstições e a forte influência de Clara Nunes em sua carreira


O cantor Duda Ribeiro, que vem chamando atenção no cenário do samba por sua voz potente e interpretação marcante, compartilha um ritual especial de espiritualidade que faz parte da sua preparação para a virada do ano: o tradicional banho de ervas, conhecido como banho de descarrego e purificação.

Ligado às práticas ancestrais e à força da natureza, Duda explica que utiliza folhas por acreditar que “é nelas que está o remédio”. Segundo o artista, o banho tem a função de limpar não apenas o corpo físico, mas também o espiritual. “Uso as folhas para curar também as chamadas larvas astrais, que são resquícios de energias de baixa frequência, formadas a partir de emoções e sentimentos negativos que exalamos nos ambientes por onde passamos. Elas vão embora através desse banho, que é um verdadeiro ritual de purificação”, afirma.

A espiritualidade sempre esteve presente na vida do cantor, que revela sua forte conexão com o orixá Ossaim, conhecido como o orixá da cura, das folhas e do conhecimento das ervas. “Eu acredito muito na força de Ossaim, o dono do mato. Esse banho não deixa de ser um remédio. Na hora em que jogamos aquela água no corpo, ela limpa e purifica a nossa matéria, para que a gente consiga transmutar a nossa energia em irê, que significa positivo”, explica.

O ritual é feito de forma cuidadosa e respeitosa. Duda conta que o banho é preparado de maneira “quinada”: as folhas são reunidas nas mãos e maceradas até que todo o sumo seja extraído. Durante o processo, ele entoa rezas em iorubá, pedindo cura espiritual e equilíbrio energético. “Esse banho precisa ser feito na manhã do último dia do ano, no horário em que o sol está nascendo. É um momento de renovação profunda”, destaca.

Assim como manda a tradição, Duda Ribeiro também veste branco no réveillon, reforçando o simbolismo de paz, proteção e novos caminhos para o ano que se inicia.

Ao longo do ano, o cantor também mantém superstições que fazem parte do seu cotidiano e da sua relação com os palcos. “E como dizia Clara Nunes, eu não passo embaixo de escada. Quando entro no palco, cruzo os dedos e bato na madeira três vezes”, conta, aos risos.

A presença de Clara Nunes vai além das referências musicais e se manifesta de forma profunda e espiritual na vida do artista. Antes de subir ao palco, Duda revela um ritual íntimo de conexão: “Eu fecho os olhos, chamo por Deus e canalizo meu pensamento na Clara, para que ela esteja presente e me ajude espiritualmente com a minha voz. Eu sinto a presença dela”, revela.

Essa admiração e influência também se refletem nas redes sociais. Recentemente, o cantor publicou um vídeo cantando “Tristeza Pé no Chão”, um dos clássicos eternizados por Clara Nunes, emocionando seguidores e reforçando o elo entre sua trajetória artística e a da cantora.

Vivendo um momento especial na carreira, Duda Ribeiro começa a disponibilizar, a partir de janeiro, algumas faixas do seu novo álbum, intitulado “Fé”, um trabalho que reflete sua espiritualidade, ancestralidade e identidade musical. Com um estilo singular de cantar samba, Duda já vem sendo apontado por grandes nomes do gênero como uma verdadeira simbiose entre Alcione e Clara Nunes, duas referências que marcaram gerações.

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