A Sinfonia do Asfalto e o Refúgio do Luxo: O Primeiro Ato do Carnaval 2026
Por Redação Universo Artístico
A jornada começou sob a hospitalidade impecável do Camarote Rio Praia. Ao cruzar seus umbrais, fomos recebidos por uma curadoria de sabores que preparava o espírito para a maratona: uma degustação de queijos e petiscos harmonizada com a energia do Red Bull, o combustível necessário para quem deseja reger a noite.

A Gastronomia como Arte do Acolhimento
Na cozinha do Rio Praia, o destaque foi a harmonia dos pratos quentes. Experimentamos uma carne ao molho aveludado que conquistou o paladar pela precisão do tempero. Enquanto isso, a “Fê” (nossa entusiasta da culinária) não poupava elogios à massa, que se apresentava como uma das estrelas do menu.
O ambiente, uma galeria climatizada em meio ao calor febril do Rio, oferecia o alívio necessário. A logística de bebidas, com geladeiras estrategicamente espalhadas, garantiu que a fluidez da noite não fosse interrompida por filas, permitindo que o foco permanecesse no espetáculo da avenida. E, claro, para os momentos de descontração, o clássico cachorro-quente e os salgadinhos “top” completavam a paleta afetiva do paladar.
O Coração da Escola: A Visão Privilegiada
A localização do Rio Praia é, por si só, uma obra de mestre: posicionado próximo ao segundo recuo da bateria, o camarote permite sentir a vibração física do “coração” das escolas. É o lugar onde a emoção atinge seu ápice, preparando o espectador para a transição entre um espetáculo e outro.
As Telas Vivas da Avenida: Destaques dos Desfiles
No asfalto, a arte se manifestou em diferentes tons:
- Inocentes de Belford Roxo: Trouxe o Recife como moldura, um enredo rico em referências culturais que pintou a Sapucaí com as cores do Nordeste.

- Unidos de Padre Miguel: Sem dúvida, o grande espetáculo visual da noite. Com fantasias luxuosas e carros excepcionais, a escola mostrou que sua arquitetura carnavalesca está pronta para o retorno ao Grupo Especial.

- União da Ilha: Um manifesto sobre a efemeridade. Sob o enredo “Viva o Hoje! O Amanhã? Fica pra depois”, a escola trouxe Gracyanne Barbosa como Rainha de Bateria. Em um ato de resiliência e adaptação, Gracyanne desfilou de tênis enquanto se recupera de uma lesão, provando que a majestade reside na entrega, independentemente do calçado.

O Epílogo Emocionante: Jacarezinho e Xande de Pilares
Após uma pausa para o nosso “ponto fraco” comida (o estrogonofe de frango e um clássico pudim de leite que fechou o ciclo de doces com maestria), voltamos os olhos para o palco e para a pista.
A Unidos do Jacarezinho encenou o momento mais emocionante da noite. Com o enredo “O ar que se respira agora inspira novos tempos”, a escola homenageou Xande de Pilares, o filho ilustre da comunidade. Ver a trajetória do artista, do Morro do Turano à consagração na MPB, foi como assistir a um documentário vivo sobre superação. Mesmo após enfrentar dois incêndios devastadores neste ano, o Jacarezinho desfilou com garra, com integrantes trocando as fantasias perdidas pelo orgulho da blusa da escola.

No camarote, o próprio Xande assumiu a regência da festa, elevando a energia da pista após os sets vibrantes dos DJs da casa.

O primeiro dia de 2026 nos ensinou que o Carnaval é a arte de resistir e celebrar o presente. No Universo Artístico da folia, a Sapucaí continua sendo a maior galeria do mundo, e nós estamos apenas no primeiro ato.




