Entre o Nevoeiro de 1991 e o Brilho de 2026: O Resgate de um Duelo de Gigantes
Por Redação Universo Artístico
O futebol é uma arte que se alimenta de ciclos e ecos. Neste domingo, no gramado monumental do Mané Garrincha, em Brasília, Corinthians e Flamengo sobem ao palco para disputar a Supercopa do Brasil. Mas, para compreender a magnitude deste encontro, é preciso olhar pelo retrovisor e observar uma pintura de traços esfumaçados, datada de 1991, quando esses mesmos protagonistas encenaram uma final que o tempo (e até os seus próprios autores) parece ter tentado apagar.
A Estética do Improviso: O Título Sem Cerimônia
Naquela tarde de 1991, o Morumbi foi o cenário de uma conquista corintiana que, para o técnico Nelsinho Baptista, assemelha-se mais a um ensaio técnico do que a uma grande estreia. Com um público de apenas 2.706 pessoas sob chuva, o Corinthians venceu o Flamengo por 1 a 0. O que hoje é uma ópera de milhões, naquela época era um “pós-escrito” burocrático de pré-temporada.
“Eu, sinceramente, não lembro de ter recebido premiação, medalha, nem do próprio Corinthians ter recebido troféu”, revelou Nelsinho ao UOL. Embora os arquivos registrem o capitão Neto erguendo a taça, a memória do treinador retém apenas a simplicidade de um jogo que terminou sem volta olímpica ou confetes. “Terminou o jogo, cada time foi para o seu vestiário e foi embora”. No Universo Artístico do esporte, essa é a representação de uma era onde a glória era sentida, mas raramente emoldurada.
A Sinfonia Atual: Do Amadorismo ao Espetáculo
Vinte e cinco anos depois, a Supercopa deixou de ser uma “surpresa de calendário” para se tornar uma obra-prima de marketing e performance. O contraste é absoluto: onde havia o silêncio de vestiários vazios, hoje há premiações milionárias, cerimônias coreografadas e o clamor de torcidas que transformam o estádio em um templo de emoções.
Para o duelo de 2026, Nelsinho Baptista prevê um equilíbrio de pinceladas distintas:
- O Flamengo: O elenco mais badalado, uma composição de estrelas que busca o domínio técnico.
- O Corinthians: A força da camisa e a mística de quem sabe vencer o “momento” da decisão.
- O Veredito do Mestre: “Quando entram em campo Corinthians e Flamengo, as coisas se equilibram nos 90 minutos. São duas potências, duas camisas valiosas”.
O Encontro de Amanhã
O Flamengo chega como o arquiteto do último Brasileirão, enquanto o Corinthians ostenta a maestria da Copa do Brasil. Neste domingo, às 16h, o Brasil assistirá a um novo capítulo desta rivalidade centenária. Será o momento de criar memórias que, desta vez, nem o tempo, nem os campeões, serão capazes de esquecer.
No Universo Artístico, celebramos o esporte como essa narrativa contínua, onde o passado “desorganizado” de Nelsinho Baptista serve de alicerce para o espetáculo grandioso que Brasília está prestes a testemunhar.


