qua. jul 1st, 2026

Dhu Moraes relembra criação das Frenéticas, fala sobre os desafios da carreira e celebra avanços na representatividade no podcast Ser Artista


Atriz e cantora de trajetória marcante na televisão, no teatro e na música, Dhu Moraes foi a convidada da semana do podcast Ser Artista, comandado por Marcus Montenegro. Em uma conversa franca, a “Manuela”, de Êta Mundo Melhor, revisitou momentos importantes da carreira, revelou inseguranças que ainda enfrenta nos palcos e refletiu sobre as mudanças na representatividade de atores pretos na dramaturgia brasileira.

Durante a entrevista, Dhu recordou como surgiu o icônico grupo As Frenéticas. Segundo ela, tudo começou após um convite de Sandra Pêra, irmã da saudosa Marília Pêra, que a procurou para integrar um projeto idealizado por Nelson Motta. A proposta era reunir garçonetes com o estilo irreverente dos anos 70 para a inauguração de uma discoteca. A ideia deu origem ao grupo que marcou época na música brasileira.

Mesmo com décadas de experiência nos palcos, Dhu confessou que ainda sente o tradicional frio na barriga antes de entrar em cena.

“Mesmo sendo uma atriz veterana, eu ainda sinto medo quando toca o terceiro sinal do teatro, principalmente, quando vou cantar sozinha”, revelou.

A artista também compartilhou um ensinamento recebido do ator e cantor Cláudio Lins sobre a relação entre a música e a interpretação.

“Certa vez, Cláudio Lins me disse que a facilidade do cantor ajuda na composição de certos personagens do ator na TV, quando precisa ter algum sotaque. Daí é uma construção. Você vai para casa pensando em como pode adequar isso com tudo o que já viveu”, contou.

Ao longo da conversa, Marcus Montenegro também abordou um tema importante para o cenário artístico atual: a reparação histórica na televisão e no audiovisual, com mais oportunidades para atores pretos ocuparem papéis de destaque, além da necessidade de combater o etarismo na profissão.

Dhu relembrou as limitações que enfrentou no início da carreira e comemorou as transformações que vêm acontecendo.

“Eu achava uma pena antigamente estar sempre no lugar de empregada e escrava. Tinham personagens feitos por pessoas brancas que eu tinha certeza de que poderia interpretar melhor, e essas coisas me entristeciam um pouco”, afirmou.

Com sensibilidade e autenticidade, Dhu Moraes compartilhou histórias que atravessam mais de quatro décadas de carreira, em uma conversa que une memória, reflexão e celebração das conquistas da classe artística.

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