qui. abr 30th, 2026

Entre sons e memórias, o Disconcertos encerra sua temporada em grande estilo

No último dia 29 de abril, o projeto Disconcertos encerrou sua temporada em grande estilo no Futuros Arte e Tecnologia, no Rio de Janeiro. O encontro foi marcado por emoção, memória e representatividade, celebrando a potência da cultura preta e o papel transformador da música dentro das comunidades.
Com a presença do cineasta e ator Luciano Vidigal, a edição trouxe como tema o álbum “A curtição do momento, volume 1”, um clássico do funk carioca. Ao longo da noite, o público mergulhou em uma escuta coletiva potente, com músicas selecionadas tanto por Luciano quanto por Dodô Azevedo, que conduziu o encontro. Entre batidas, letras e histórias, o evento se transformou em uma verdadeira viagem pela trajetória do artista e pela construção do funk como expressão cultural.
Luciano compartilhou momentos importantes da sua caminhada, relembrando que começou no teatro ainda aos 11 anos, no grupo Nós do Morro, no Vidigal, onde deu os primeiros passos na arte. Ao longo da conversa, destacou a importância da música, especialmente do funk, como ferramenta de formação, identidade e inspiração dentro da sua vida e da sua obra.
Durante o encontro, também falou sobre seu filme Kasa Branca, suas parcerias ao longo da carreira e a forma como a música sempre atravessou seus processos criativos. Em um dos momentos mais marcantes da noite, afirmou: “o funk é um movimento político, é o maior movimento jovem preto se formos falar sobre negritude e sempre foi o meu lugar de maior diversão”.
Dodô Azevedo também reforçou o papel do gênero ao destacar que o funk é um movimento que se move para causas artísticas e comunitárias, ampliando seu impacto para além da música. Ao ser questionado sobre como essa edição do projeto o tocou ao longo da temporada, Dodô respondeu: “essa temporada do disconcertos realizou todos os meus sonhos, já que sou eu que convido, eu convidei todas as pessoas que eu sonhava em convidar, elas aceitaram, os papos foram exatamente do jeito que eu sonhava, ou até melhores, então a palavra certa é que foi a realização de um sonho”.
Outro momento potente da noite veio quando Luciano refletiu sobre a importância da arte para a cultura preta periférica. Ao ser questionado sobre esse impacto em sua própria trajetória, afirmou: “acho ótimo dizer que eu sou o instrumento da arte, a arte transformou a minha vida, sou um cara preto da favela, filho de uma mãe solo, uma mulher preta que veio do interior da Bahia, muito pobre e que hoje eu vivo da arte, então a arte te enriquece, enriquece seu intelectual, enriquece por dentro, enriquece sua consciência política, a arte é muito poderosa, ela transforma. eu acredito que o nós do morro fez um trabalho muito bonito no Vidigal, então eu faço arte porque eu acredito no poder dela, também pra dar esperança pra um futuro mais bonito e mais justo e eu faço arte porque eu acredito na transformação”.
O encerramento foi tão simbólico quanto emocionante. Luciano agradeceu o convite e se disse feliz ao ver a sala envolvida, dançando ao som das músicas escolhidas por ele. Comentou que momentos como aquele, inclusive ao ver até o segurança que trabalha no espaço dançando no ritmo do funk, são o que realmente o fazem feliz.
A última edição do Disconcertos não apenas celebrou um disco, mas reafirmou a força do funk como expressão cultural, política e afetiva, encerrando a temporada com um encontro potente, vivo e cheio de significado.
O projeto Disconcertos é uma realização de Sheila Gomes por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Lei do ISS, com o patrocínio da Serede e da Prefeitura do Rio de Janeiro SMC.

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