Diretor acadêmico da CAL fala sobre formação, empreendedorismo e os caminhos para a sobrevivência profissional do ator brasileiro
O que significa, hoje, ser artista no Brasil? Essa é uma das reflexões levantadas por Hermes Frederico, diretor acadêmico da CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, no novo episódio do podcast “Ser Artista”, apresentado por Marcus Montenegro. Com experiência na formação de atores, Hermes discute os desafios da profissão e defende uma visão mais ampla sobre a preparação de quem escolhe a carreira artística.
Para o diretor acadêmico, a formação do ator não deve se limitar ao exercício da atuação. É fundamental compreender a dimensão profissional da carreira, incluindo conhecimentos que contribuam para a autonomia e a sustentabilidade do artista.
“O ator precisa pensar que está estudando para exercer um ofício e, nesse ofício, existem conhecimentos que podem colaborar para o exercício da profissão e para a sobrevivência.”
Hermes também destaca a proposta do “Ser Artista” como um curso de extensão peculiar, que amplia a perspectiva sobre o trabalho artístico e aborda, além da atuação, a capacidade de empreender e construir caminhos dentro do próprio mercado.
Ao falar sobre a formação do ator brasileiro, Hermes ressalta ainda o caráter híbrido da dramaturgia nacional e a influência de diferentes linguagens na construção da televisão brasileira. Segundo ele, o eixo Rio-São Paulo reúne hoje grandes dramaturgos e espaços dedicados tanto à criação contemporânea quanto aos grandes clássicos.
O diretor acadêmico lembra que a televisão brasileira também nasceu de uma forte conexão com outras áreas da dramaturgia. No Rio de Janeiro, o teatro teve papel fundamental, levando para a televisão nomes como Fernanda Montenegro e Natália Timberg. Em São Paulo, a tradição do rádio também foi determinante, com artistas como Laura Cardoso e Lima Duarte.
“A televisão congregava a TV, o rádio e o teatro”, observa Hermes, ao destacar como essas diferentes experiências contribuíram para formar gerações de grandes intérpretes brasileiros.
No episódio, a conversa conduzida por Marcus Montenegro propõe justamente esse olhar para o artista como profissional: alguém que precisa compreender sua formação, conhecer o mercado e estar preparado para construir uma trajetória que vá além do talento em cena.


