O iFood já não janta sozinho na mesa do delivery
Durante anos, o mercado de delivery no Brasil foi uma tela de uma única cor. O iFood reinava como um sol solitário, ditando o ritmo, o preço e a estética da conveniência nacional. Sua dominância era tamanha que foi capaz de eclipsar gigantes globais, como o Uber Eats, forçando-os a retirar seus talheres do nosso solo. Contudo, o início de 2026 revela uma nova composição: pela primeira vez, a moldura do setor está sendo redesenhada por mãos estrangeiras de apetite voraz.
O Retrato da Mudança: A Grande São Paulo como Laboratório
O epicentro dessa transformação é a Grande São Paulo, o palco mais lucrativo do país. Os números contam uma história de erosão e desafio: o iFood, que ostentava quase 64% de participação de mercado em meses anteriores, viu seu market share recuar para 52,3%. Ainda é a liderança, mas agora é uma liderança sob cerco.
A Invasão Oriental: 99Food e Keeta
A nova “coreografia” do setor é ditada por dois grandes players chineses que entraram na arena com táticas distintas e recursos massivos:
- 99Food: Já consolidou sua presença, somando 10% de share em valor na Grande SP. Mais impressionante é seu alcance: já atinge 15,9% dos consumidores (cerca de 3,1 milhões de compradores), provando que sua estratégia de preços e capilaridade encontrou eco no bolso paulistano.
- Keeta: O novo convidado chegou em dezembro com um investimento inicial de R$ 1 bilhão. Embora ainda não apareça nos dados históricos consolidados, sua entrada não é um mero esboço; é uma declaração de guerra comercial em larga escala.
A Lição da História e o Novo Design Estratégico
Diferente do embate contra a Uber, onde o iFood venceu pela resistência e domínio de rede, o desafio atual é em “dose dupla”. O que estamos assistindo na Arquitetura do Valor deste setor é a transição de um monopólio de fato para um ecossistema competitivo.
Para o consumidor, essa briga por “cada centímetro do prato” costuma resultar em melhores ofertas e inovações no serviço. Para o iFood, o momento exige uma nova sensibilidade estratégica: a de um mestre que precisa reinventar sua própria obra para não ser ofuscado pelo brilho dos novos dragões que chegaram para o jantar.
No Universo Empresarial, o valor é como uma escultura: precisa ser constantemente polido para não perder o destaque na galeria do mercado.

