Com texto criado a partir das escutas da filósofa Helena Theodoro,
peça fala sobre relações e perdas, por meio de memórias preservadas pela oralidade
Quando as pessoas são lembradas, elas não morrem”, disse a filósofa, escritora e professora Helena Theodoro nas conversas com as autoras Thais Pontes e Renata Andrade, que escreveram a dramaturgia de “Mãe baiana”, com direção de Luiz Antonio Pilar. Após passar por festivais internacionais e levar pela primeira vez a atriz Dja Marthins, de 83 anos, aos palcos de Portugal e Cabo Verde, o espetáculo retorna ao Rio de Janeiro, no Teatro Glauce Rocha para apenas 2 apresentações a preços populares, nos dias 20 e 21 de junho, sábado às 19h e domingo às 18h. O projeto foi contemplado no edital Fluxos Fluminenses 2024 e tem o patrocínio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc.
No palco, Dja Marthins e Luiza Loroza interpretam avó e neta que, ao viver um momento de luto em família, veem a relação entre as duas renascer. A peça, que joga luz sobre o papel poderoso e fundamental da mulher negra na sociedade. Para o diretor Luiz Antônio Pilar, a concepção de “Mãe baiana” nasce da proposta do texto. Nele, estão os conflitos de gerações e de conceitos entre uma jovem mulher de seus 20 e poucos anos e sua avó, octogenária.
O espetáculo faz parte da “Trilogia Matriarcas”, ao lado de “Mãe de santo” e “Mãe preta”, idealizado pela atriz Vilma Melo e o produtor cultural Bruno Mariozz. A peça parte da perda de um filho, fato que Helena Theodoro viveu quando seu menino de quatro anos morreu afogado. Apesar da premissa triste, as autoras preocuparam-se em não pesar o espetáculo, até porque a personagem da avó – assim como a autora – sofre, mas entende a morte. No início, a neta não compreende, mas passa a entender ao longo da história.
Todo o pensamento da filósofa e primeira doutora preta do Brasil Helena Theodoro passa por suas experiências pessoais e afirma o princípio feminino preto com todas as suas possibilidades de existir, conservar, transformar e melhorar o mundo.
“Esse espetáculo é sobre relações – sobre relação de avó e neta, relação com a morte, com a cozinha, com a religião. A gente vai se transformando nos nossos, a gente vai se vendo… Escrever com a Renata Andrade foi um doce exercício de memórias, em que fomos lembrando histórias das nossas famílias”, conta Thais Pontes, que recorda as conversas com a avó durante as madrugadas na cozinha de casa.
“Um conflito que não significa necessariamente violência ou brigas, mas as diferenças de ideias de tempos que já passaram. São dois mundos diferentes que hoje estão no mesmo espaço”, analisa o diretor, que fala também sobre a perspectiva racial da montagem. “Me ressinto com a dramaturgia nacional que quando vai falar do negro, principalmente o urbano, é sempre no conflito da violência. A questão nunca é contraditória ou está na diferença de perspectiva. É sempre no jovem negro matando ou morrendo, da família desconstruída, da falta de afeto. Em ‘Mãe baiana’ o conflito está inserido numa sociedade cotidiana e na família geracional, constituída por mulheres, convivendo no mesmo espaço”, finaliza Pilar.
O cenário criado por Renata Mota e Igor Liberato é composto por ambientes de uma casa, divididos entre sala, cozinha e quintal, onde avó e neta conversam, cozinham e recordam as histórias da família. No quintal, são usados dez quilos de terra e de sementes de girassol.
Todas as sessões terão acessibilidade, com os recursos de libras e audiodescrição.

*SOBRE A PRODUTORA*
*Palavra Z Produções Culturais*
É uma produtora fundada em 2011, com atuação destacada nas artes cênicas, música e dança. Com mais de 40 espetáculos realizados, consolidou-se no cenário cultural brasileiro por sua excelência artística e capacidade de gestão, estabelecendo parcerias com instituições como CCBB, Oi Futuro, Instituto Vale Cultural, Eletrobrás, SESC e SESI. Entre seus trabalhos mais premiados estão A Gaiola, Tudo o Que Há Flora, Vamos Comprar Um Poeta e Leci Brandão – Na Palma da Mão, vencedor do Prêmio Shell de Melhor Direção. Também produziu espetáculos como Quando a Gente Ama, Gabriel Só Quer Ser Ele Mesmo, O Pescador e a Estrela, Órfãos, Os Bruzundangas, Makeda – A Rainha da Arábia Feliz e a Trilogia Matriarcas. Durante a pandemia, foi pioneira na campanha Teatro Online, que alcançou mais de 120 mil visualizações. É ainda idealizadora da PT-BR – Mostra de Teatro Brasil no Chapitô, em Portugal, promovendo a internacionalização da cena brasileira com circulação de espetáculos em países como Portugal, Espanha, Angola, Cabo Verde e Colômbia.
Os ingressos para as únicas apresentações de “Mãe baiana” já estão à venda pelo Sympla, com o preço a partir de R$ 15,00. A classificação indicativa é de 12 anos. Mais informações sobre o espetáculo e bastidores da montagem podem ser acompanhadas através da rede social @maebaiana.teatro.
*Serviço*
Espetáculo: “Mãe baiana”
Apresentações: 20 e 21 junho
Dias e horários: sábado às 19h | domingo às 18h
Local: Teatro Glauce Rocha
Endereço: Av. Rio Branco, 179 – Centro – RJ
Ingresso: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Venda online: Sympla
Funcionamento da bilheteria: quarta a domingo, 14h às 19h
Capacidade: 204 lugares
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60 min
Redes sociais: @maebaiana.teatro

