Consultor e especialista em teledramaturgia brasileira e latino-americana, Mauro Alencar fala sobre censura, redes sociais, identidade das novelas e os grandes autores da TV
A história da televisão brasileira, seus grandes autores e as transformações provocadas pelos novos tempos são alguns dos assuntos abordados por Mauro Alencar, consultor, mestre e doutor especialista em teledramaturgia brasileira e latino-americana, no podcast “Ser Artista”, apresentado por Marcus Montenegro. O episódio também marca a parceria entre os dois na produção de um livro que celebra os 76 anos da televisão brasileira.
Durante a conversa, Mauro relembra o período da censura e estabelece um paralelo com o comportamento nas redes sociais atualmente. Para ele, embora a televisão daquele período enfrentasse cortes e restrições, havia também uma relação diferente entre as pessoas.
“A geração de hoje está vivendo um outro momento. Hoje em dia é todo mundo se xingando, se cancelando. Nós falávamos o que a gente gostava e ninguém te cancelava e muito menos te xingar na internet. As pessoas tinham um respeito, porque nós tínhamos um inimigo chamado o censor.”
O especialista explica que, durante o período de censura, textos e produções eram submetidos a uma rigorosa fiscalização. “Na época da censura tudo era cortado, eles checavam o texto e o vídeo depois e isso foi até o final dos anos 80”, relembra.
Mauro também faz uma leitura particular sobre alguns dos principais autores da teledramaturgia brasileira, associando cada um deles a uma característica marcante de sua obra. Gloria Perez, segundo ele, “é um mundo na telenovela”; Walcyr Carrasco, “a excelência do melodrama”; Manoel Carlos, “a crônica da telenovela”; Agnaldo Silva, o “realismo nordestino, apimentado com grande sensualidade”; Silvio de Abreu, “o suprassumo da comédia”; e Rosane Svartman, “o cotidiano na televisão”.
A conversa também passa pela presença dos veteranos na televisão e pela relação entre identidade, público e audiência. Marcus Montenegro questiona a ausência de grandes nomes da teledramaturgia de outras gerações e os reflexos disso na identificação do público com as novelas atuais.
Para Mauro, conhecer profundamente quem está do outro lado da tela é fundamental para construir uma narrativa que dialogue com diferentes gerações.
“É preciso ter uma estratégia, conhecer o público e fazer a novela que entra na casa de cada um.”
Especialista em psicologia da mídia, área que estudou durante um ano, Mauro defende ainda que a teledramaturgia precisa continuar refletindo a diversidade da sociedade e não pode se limitar a um único perfil de público.
“A novela, a arte traduz a vida. Não tem como escrever só para pessoas jovens e hoje ainda precisamos avançar com relação a isso.”
Com uma trajetória dedicada ao estudo e à preservação da memória da televisão, Mauro Alencar leva ao “Ser Artista” uma reflexão sobre o passado, o presente e os caminhos da teledramaturgia brasileira, em uma conversa que também antecipa temas do livro que prepara ao lado de Marcus Montenegro em homenagem aos 76 anos da televisão brasileira.


