Com 80,2% dos lares endividados, Planalto vê nos juros altos o maior entrave para a percepção de melhora na economia em ano eleitoral.
O Governo Federal identificou um obstáculo silencioso que ameaça a popularidade da gestão em 2024: o endividamento das famílias. Mesmo com indicadores positivos, como a menor taxa de desemprego desde 2012, a sensação de “bolso vazio” persiste. O motivo?
O brasileiro está trabalhando para pagar juros.
Dados recentes mostram que, em fevereiro, 80,2% dos lares brasileiros registraram algum nível de endividamento. Mais impressionante é o peso dessas dívidas no orçamento: desde outubro do ano passado, cerca de 29% da renda das famílias é destinada exclusivamente ao pagamento de débitos financeiros.
A Estratégia do Planalto
A percepção do Palácio do Planalto é que o esforço para reduzir o desemprego é “neutralizado” pelas taxas de juros abusivas. Para reverter esse cenário, o governo estuda medidas drásticas para baratear o crédito, focando em dois pilares:
- Redução do teto dos juros rotativos do cartão de crédito (considerado o vilão número um do orçamento).
- Corte nas taxas do consignado privado, facilitando empréstimos com desconto em folha para trabalhadores do setor formal.
A ideia é que, com juros menores, as parcelas caibam no orçamento e o consumo seja estimulado, gerando uma percepção real de melhora econômica na ponta final, o eleitor.
A Reação do Mercado: O Risco do “Apagão de Crédito”
Se por um lado a medida alivia o consumidor, por outro, coloca o governo em rota de colisão com o setor financeiro. Instituições bancárias alegam que a redução forçada dos juros aumenta o risco da operação, o que pode levar a um encurtamento do crédito disponível.
O histórico recente serve de alerta: em 2023, uma tentativa semelhante de intervenção gerou um estudo do setor bancário prevendo o cancelamento de até 65 milhões de cartões de crédito. Para os bancos, se o risco de inadimplência não for compensado pelo juro cobrado, a solução é simplesmente parar de emprestar.
O desafio do governo agora é encontrar o equilíbrio entre aliviar o fardo das famílias sem provocar uma retração na oferta de crédito que possa paralisar ainda mais a economia.


