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Marco Aurélio Jr. Pereira
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O Trauma de US$ 170 Bilhões: Milei tenta “caçar” dólares sob o colchão, mas esbarra no fantasma do confisco
Com o equivalente a 26% do PIB guardado fora dos bancos, argentinos ignoram anistia do governo e mostram que a desconfiança política ainda vence a matemática econômica.
O presidente libertário Javier Milei tem um plano audacioso para injetar oxigênio na economia argentina: convencer a população a tirar os dólares físicos debaixo dos colchões, cofres e esconderijos domésticos para depositá-los no sistema bancário. No entanto, o que Milei está enfrentando é uma barreira cultural erguida por décadas de instabilidade.
A estimativa é assustadora: existem cerca de U$ 170 bilhões em moeda física nas mãos dos cidadãos , fora do Estado. Para seter uma dimensão, esse valor representa U$
650 bilhões). É um tesouro oculto que, se circulasse, poderia transformar o país, mas que hoje serve apenas como um “seguro de vida” contra o próprio governo.
O Fantasma de 2001
O comportamento do argentino não é paranoia; é um mecanismo de defesa. O trauma central remete a 2001, o ano do infame “corralito”, quando o governo confiscou os depósitos bancários para evitar um colapso total. Desde então, o dólar físico tornou-se a única instituição em que o povo confia.
Para tentar quebrar esse ciclo, Milei lançou o programa “traga seu dinheiro e ninguém vai te perguntar nada”, uma espécie de anistia fiscal sem perguntas sobre a origem dos fundos. O resultado, porém, é tímido: desde fevereiro, os depósitos cresceram menos de US$ 1 bilhão. Para cada dólar que volta ao banco, outros 169 continuam escondidos.
O Paradoxo de Milei: Macro vs. Micro
A resistência em depositar o dinheiro ocorre em um momento de “vitórias agridoces” para a Casa Rosada:
- A Vitória dos Números: Milei conseguiu uma façanha técnica, reduzindo a inflação mensal de 25,3% para 3,4%. O nível de pobreza também atingiu seu ponto mais baixo em sete anos.
- A Derrota da Popularidade: Apesar dos avanços macroeconômicos, a desaprovação de Milei ultrapassa os 60%.
O motivo? Acusações de corrupção envolvendo integrantes do governo e a percepção de que a “melhora” ainda não chegou ao prato de comida e ao poder de compra real do dia a dia. Para o argentino comum, ver a inflação cair no gráfico é diferente de sentir o bolso respirar.
The Big Picture: Milei está em uma corrida contra o tempo. Se ele não conseguir converter os avanços estatísticos em confiança popular, os US$ 170 bilhões continuarão alimentando a economia informal e o medo. Na Argentina, o “colchão” continua sendo o banco mais seguro do mundo, e mudar isso exigirá mais do que apenas decretos libertários.





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