Entre o avanço global do PIX e a disputa por minerais críticos, presidentes tentam reaproximação em meio a quedas de popularidade e riscos de soberania.
O Salão Oval da Casa Branca será hoje o palco de uma cúpula de alta voltagem. Marcado de última hora após uma ligação de 40 minutos na sexta-feira passada, o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump ocorre sob uma névoa de fragilidade política para ambos os lados.
No Brasil, Lula enfrenta seu pior índice de aprovação (44% contra 53% de desaprovação) e sucessivas derrotas no Congresso. Nos EUA, Trump vive seu momento mais impopular, acuado pela gestão da guerra no Irã e pelo risco real de perder o controle do Legislativo nas eleições de novembro. Para ambos, a foto do aperto de mãos é uma tentativa de demonstrar que ainda dão as cartas no tabuleiro global.
A Pauta Econômica: O “Tarifaço” e a Guerra contra o PIX
O ponto mais sensível do encontro reside na economia digital e comercial. O governo americano conduz investigações sobre o Brasil por supostas práticas comerciais desleais e, nos bastidores, enxerga o sucesso do PIX como uma ameaça direta à hegemonia das bandeiras de cartão americanas.
- O Plano de Lula: Tentar blindar os produtos brasileiros de novos impostos de importação e defender a soberania tecnológica do sistema de pagamentos nacional.
Ouro Tecnológico: Terras Raras e Minerais Críticos
Trump chega à mesa com um interesse específico: as terras raras. Com o Brasil detendo as maiores reservas desses minerais depois da China, os EUA buscam um acordo de exclusividade para exploração. Para Washington, garantir o fornecimento desses materiais é uma questão de segurança nacional para a indústria de semicondutores e defesa, reduzindo a dependência asiática.
Segurança e Soberania: O Risco do “Rótulo Terrorista”
Na segurança pública, o clima é de apreensão no Itamaraty. Lula quer evitar a todo custo que os EUA classifiquem as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Para o governo brasileiro, esse rótulo abriria precedentes para intervenções e sanções que ferem a soberania nacional, transformando o crime organizado em um problema de jurisdição americana.
O Risco da “Saia-Justa”
Se por um lado aliados de Lula veem o encontro como uma demonstração de força diplomática, por outro, o Planalto teme o temperamento explosivo de Trump. Existe o risco real de o presidente americano confrontar publicamente as críticas brasileiras à condução da guerra no Irã, utilizando o palanque de Washington para constranger o líder brasileiro diante da imprensa mundial.
The Big Picture: Lula e Trump estão jogando um jogo de sombras. Em Washington, a química pessoal será testada em um cenário onde o pragmatismo econômico (minerais e tarifas) pode ser o único ponto de união entre dois governos ideologicamente opostos e politicamente pressionados.


