Após 24 anos no Morumbi, tradicional galeria de Max Perlingeiro migra para o centro de SP; mostra de inauguração reúne Picasso, Dalí e Tarsila em acervo inédito.
O mercado de arte brasileiro vive um momento de renovação de seus espaços físicos, e a Pinakotheke acaba de dar o passo mais ambicioso de sua trajetória paulistana. Fundada em 1979, no Rio de Janeiro, pelo curador Max Perlingeiro, a instituição consolidou-se como referência em arte moderna. Agora, após mais de duas décadas instalada no Morumbi, a galeria inaugurou sua nova sede em São Paulo no último dia 18, escolhendo um cenário à altura de seu acervo: um casarão restaurado da década de 1930, em Higienópolis.
Arquitetura e História: Do Botafogo à Rua Minas Gerais
A Pinakotheke sempre teve uma relação íntima com o patrimônio histórico. Sua sede carioca habita uma mansão tombada de 1917 em Botafogo, famosa pelo clima residencial que humaniza a experiência artística. Ao se mudar para a Rua Minas Gerais, em Higienópolis, a galeria mantém essa essência, ocupando uma residência histórica que dialoga perfeitamente com a sofisticação do novo bairro, consolidando a região como um dos principais hubs culturais da capital paulista.
A Mostra: Um Mergulho no Inconsciente
Para marcar o início deste novo capítulo, a galeria não poupou esforços. A exposição inaugural é uma verdadeira aula sobre o Surrealismo, reunindo cerca de 110 obras de 60 artistas que moldaram o pensamento visual do século XX e XXI.
A curadoria atravessa oceanos e épocas, conectando vertentes europeias, latino-americanas e contemporâneas. É uma oportunidade rara de ver, em um único espaço, o diálogo entre nomes que definiram a modernidade:
- Os Mestres Globais: Pablo Picasso, Joan Miró, Salvador Dalí, René Magritte e Alberto Giacometti.
- As Mulheres Fortes: Louise Bourgeois, a força de Maria Martins e a iconoclastia de Tarsila do Amaral.
- A Contemporaneidade: O legado sensorial e visceral de Tunga.
The Big Picture: A Arte como Patrimônio
O movimento da Pinakotheke para Higienópolis sinaliza uma tendência de “retorno ao centro” das grandes instituições culturais, buscando maior proximidade com o público e integração com o tecido urbano histórico. Para o colecionador e para o entusiasta, a nova sede não é apenas uma galeria, mas um museu particular que convida à pausa e à contemplação em meio à agitação de São Paulo.


