A Nova Coreografia do Tempo: O Debate em Brasília sobre a Escultura da Jornada de Trabalho
Por Redação Universo Artístico
O tempo é a matéria-prima mais valiosa da existência humana. No Brasil, a forma como esse tempo é distribuído entre o ofício e o descanso está prestes a passar por uma restauração profunda. O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que a proposta pelo fim da escala 6×1 deve subir ao palco para votação até maio. O gesto, lido como um movimento de harmonia com o governo federal, coloca no centro da galeria nacional uma discussão que atravessa gerações de trabalhadores.
O Desenho Atual: A Moldura das 44 Horas
A arquitetura trabalhista vigente, fundamentada na Constituição, permite uma jornada de até 44 horas semanais. Embora o texto não dite a divisão dos dias, o modelo 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga) tornou-se a técnica predominante no comércio e nos serviços. Para muitos, essa é uma “obra” que já apresenta sinais de fadiga, destoando das novas estéticas globais de bem-estar.
O Esboço da Mudança: Das 44 para as 36 Horas
A proposta em debate funde textos dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP). O objetivo é redesenhar a jornada para o limite de 36 horas semanais. Trata-se de uma tentativa de alinhar o Brasil a uma tendência internacional que busca a eficiência através da qualidade de vida, e não apenas pela extensão do tempo presente no posto de trabalho.
Luz e Sombra: O Dilema do Equilíbrio
Como toda grande transformação, o projeto divide os críticos e curadores da economia:
- A Pincelada da Dignidade (Prós): Defensores afirmam que a mudança traria um novo vigor aos 48 milhões de trabalhadores CLT. O argumento é que menos horas resultam em mentes mais criativas, produtivas e saudáveis, combatendo o esgotamento e fortalecendo o consumo e o convívio social.
- O Risco Estrutural (Contras): Do outro lado, vozes de alerta apontam para a fragilidade da nossa base econômica. Um estudo do CLP sugere que o impacto poderia custar até 640 mil empregos. O ponto central é a produtividade brasileira, que cresce apenas 0,5% ao ano, uma cadência lenta quando comparada à média global de 1,5%. Sem um aumento na eficiência, a redução da jornada poderia encarecer a produção e espremer os pequenos negócios.
O Ato da Transição: Um Movimento Gradual
Embora o cenário aponte para a aprovação, o Brasil não verá uma mudança abrupta. O texto prevê uma transição em camadas: a jornada seria reduzida primeiramente para 40 horas, descendo degrau a degrau até atingir as 36 horas ao longo de alguns anos. É a técnica do “sfumato” aplicada à lei: uma transição suave para que o mercado consiga absorver as novas cores da realidade laboral.
No Universo Artístico do cotidiano, o fim da escala 6×1 representa a busca por uma nova harmonia. Se Brasília conseguir esculpir um acordo que proteja o emprego enquanto devolve o tempo ao cidadão, o Brasil poderá assinar uma de suas obras sociais mais importantes da década

