_Diretor geral e executivo do Teatro Fashion Mall fala sobre a paixão pela história do teatro brasileiro, a criação de um novo polo cultural e a importância de abrir espaço para novos artistas_
A história do teatro brasileiro e o futuro das artes cênicas se encontram no próximo episódio do “Ser Artista”, podcast apresentado por Marcus Montenegro. O convidado é Gilmar de Araújo, diretor geral e executivo do Teatro Fashion Mall, que também está à frente de um novo e importante capítulo da cena cultural carioca: a reabertura do Teatro Princesa Isabel, em Copacabana, fechado há muitos anos.
Responsável pelo projeto de retomada do tradicional espaço, Gilmar conta que foi imediatamente envolvido pela história do teatro quando conheceu o local. Entre as descobertas, uma em especial o marcou: uma caixa que guardava mais de 65 fotografias de espetáculos realizados no palco do Princesa Isabel.
“Fiquei apaixonado pela história do Teatro Princesa Isabel, que já está fechado há muitos anos. Quando fui conhecer o teatro, encontrei uma caixa com mais de 65 fotografias de peças que haviam sido feitas ali”, revela.
As imagens reuniam registros de atores que hoje são veteranos, muitos deles com mais de 90 anos, mas que apareciam nas fotografias ainda jovens, no início de suas trajetórias. Para Gilmar, aquele acervo representava muito mais do que lembranças de antigos espetáculos.
“Cheguei à conclusão de que era uma caixa que falava sobre a história do teatro brasileiro. E pensei: quem não gosta de arte e de história vai deixar isso virar lixo”, conta.
A descoberta reforçou no gestor o desejo de recuperar não apenas o edifício, mas também a memória cultural que existe por trás dele. A proposta prevê uma grande reforma na galeria onde o teatro está localizado, que deverá se transformar em um novo polo cultural, ampliando a vocação artística do espaço e criando novas possibilidades de circulação e encontro para o público.
Durante a conversa com Marcus Montenegro, Gilmar também fala sobre uma das questões fundamentais para o futuro das artes cênicas: a abertura de espaço para novos talentos. Para ele, preservar a história do teatro só faz sentido se ela servir também como ponto de partida para as próximas gerações.
“O teatro existe desde sempre. Sempre foi uma manifestação da raça humana. Por mais que a inteligência artificial esteja nos ajudando e evoluindo, nós somos humanos e propiciamos isso. Se nós que estamos no teatro não dermos palco, não dermos possibilidade para os novos artistas que possam surgir, como será o futuro?”, questiona.
A fala resume um dos principais pilares do trabalho que Gilmar vem desenvolvendo: preservar a memória sem deixar de olhar para o futuro. Entre fotografias de artistas que fizeram história e projetos para abrir espaço a quem ainda está começando, a reabertura do Teatro Princesa Isabel surge como uma oportunidade de reconectar diferentes gerações da arte brasileira.
No encontro com Marcus Montenegro, o gestor também compartilha os bastidores de sua atuação à frente do Teatro Fashion Mall e sua visão sobre os desafios de manter a arte e os espaços culturais vivos em um cenário de constantes transformações.
O episódio do “Ser Artista” reforça, assim, uma discussão que ultrapassa os limites do palco: afinal, para que a história do teatro continue sendo escrita, é preciso preservar aquilo que já foi vivido — mas, principalmente, garantir que novos artistas tenham onde escrever os próximos capítulos.


