qui. set 17th, 2026

Espetáculo “Histórias Pretas” celebra a ancestralidade africana em seis apresentações gratuitas

O espetáculo “Histórias Pretas” convida o público a uma viagem lúdica e sensorial pelas narrativas tradicionais da diáspora africana. Centrada nos Itãs (mitos e ensinamentos orais das tradições iorubá e nagô), a apresentação une contação de histórias, dança e paisagens sonoras executadas ao vivo com instrumentos como kalimba, flautas e tambores. Com uma linguagem acessível e encantadora, o projeto apresenta contos marcantes como “Nanã e a criação do mundo”, “Oxumaré e o Arco-Íris”, “O Nascimento dos Ibejis” e “Os Ibejis enganam a morte”, semeando valores de sabedoria ancestral e respeito à mitologia dos Orixás.

“Os Itans são narrativas orais que fazem parte da cultura Iorubá e Nagô. Eles são histórias que transmitem ensinamentos, valores e conhecimentos sobre o mundo e a vida. O povo Iorubá acredita que todos os homens e mulheres são descendentes dos Orixás. Cada um de nós somos filhos de determinados Orixás e, por isso, cada um de nós herda as características do Orixá que somos descendentes. Assim os Itans são antes de tudo o encontro com a sabedoria ancestral utilizada para compreender os caminhos da trajetória humana na terra.

A diáspora africana no Brasil trouxe, através da tradição oral (oralidade), muitas histórias. O que tornou possível manter viva a história de um povo impedido de viver em seu próprio território e dentro de seus hábitos e costumes. O que possibilitou manter viva a memória. Assim, crescemos e nos constituímos. Ouvindo nossas histórias reproduzidas pelo olhar da branquitude que trouxe a voz do colonizador omitindo fatos e apagando as histórias dos nossos ancestrais.”

A concepção ganha vida através do Afrotelúricos, grupo de pesquisa musical idealizado e dirigido pela cantora, pesquisadora e contadora de histórias Ana Rosa. O coletivo dedica-se a resgatar a essência da ancestralidade negra promovendo a tríade fundamental da cultura popular: canto, batuque e dança. Seu repertório é fruto de um rigoroso trabalho de pesquisa que abrange desde os Vissungos — cantos dos antigos moradores africanos em Minas Gerais — até manifestações como o Jongo, Lundu, Samba de Roda, Marabaixo e Afrosambas.

O nome do grupo reflete sua essência: Afro, o que nasce da herança africana; Telúrico, o que vem da terra. Inspirado por referências históricas como Clementina de Jesus, Djalma Corrêa, Tia Doca, Geraldo Filme e o icônico álbum “Canto dos Escravos”, o Afrotelúricos transforma o palco em um espaço de celebração circular. Em “Histórias Pretas”, o passado e o futuro se encontram para saudar a força dos antepassados, dos Orixás e dos Pretos Velhos em um espetáculo vibrante e inesquecível para todas as idades.

A palavra nagô ìtán designa não só qualquer tipo de conto, mas também, essencialmente, os ìtáns àtowódówó. Histórias de tempos imemoriais transmitidos oralmente de uma geração a outra, particularmente pelos babaláwo, sacerdotes do oráculo Ifá. Neste espetáculo apresentaremos quatro Itans: 1) “A criação do mundo e Nanã”; 2) “Oxumarê e o Arco-íris”; 3) “O nascimento dos Ibejis e pra fechar”; e 4) “Os Ibejis enganam a morte”.

A musicalidade encontrada neste projeto assume a função de despertar o imaginário, o lúdico, por detrás das narrativas. O som das águas, das chuvas, da floresta, dos ventos e tempestades, evocados pelas atrizes Ana Rosa e Elaisa de Souza em “Nanã e a criação do mundo”, são produzidos com instrumentos musicais tocados pelos músicos Elias Rosa e Emerson Costa. Das águas de uma kalimba ou de chocalhos trazemos chuvas e calmarias ou mesmo momentos de reflexão como sugerido em “Oxumarè e a criação do arco-íris”. Em diferentes momentos das histórias criam-se paisagens sonoras melodiosas e únicas. Utilizamos da improvisação para a construção de uma trilha musical na qual instrumentos e vozes dialogam durante todo o enredo. Momento este em que as flautas, Nativa e Transversal, entram em cena com o tocar da conga, do marabaixo e do Handpan. No conto sobre “Nascimento dos Ibejis” e em “Os Ibejis enganam a morte” os tambores e pandeiro animam e despertam o brincar das atrizes em cena

 “Histórias Pretas para todas as Cores” vem para trazer os Itans ao público infantil de maneira lúdica, com uma linguagem simples e bem humorada, muita música, danças e sonoridades africanas para embalar todo um enredo.

O espetáculo está programado para diversas unidades do Sesc no estado do RJ, como Três Rios (18/09), São João de Meriti  (24/09), Nogueira (27/09), Ramos ( 05/11), Copacabana (14/11) e Nova Friburgo (15/11).

Um projeto contemplado pelo Sesc Pulsar

“Histórias Pretas”, realizada pela Braba Produções, é uma das iniciativas contempladas pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2025, principal frente de fomento à cultura do Sesc no estado, responsável por investir em projetos artísticos de excelência que fortalecem a cena cultural fluminense.

Sobre a Idealizadora

Ana Rosa é cantora, atriz, dançarina e contadora de histórias com formação no Teatro do Oprimido e danças afro-brasileiras. Pesquisadora dos Vissungos pela UNIRIO, criou e coordena o projeto de pesquisa musical Afrotelúricos desde 2016. Aprimora sua técnica vocal com o maestro Sidney Carvalho e Suely Mesquita. Dirigiu o projeto Música & Poesia na Saúde Mental e atuou na Cia dos Encantados de 2014 a 2019. Sua trajetória na contação de histórias foi reconhecida com o Prêmio Cultura e Território de Niterói em 2022. 

SERVIÇO

  • Evento: Histórias Pretas Para Todas as Cores
  • Cronograma:
LocalData
Três Rio18/09
São João de Meriti24/09
Nogueira27/09
Ramos05/11
Copacabana14/11
Nova Friburgo15/11
  • Duração: 40 min
  • Local: Sesc Três Rios  – Rua Nelson Viana, 327.
  • Acessibilidade: Todas as apresentações terão intérpretes de libras.
  • Classificação: Livre
  • Realização: Braba Produções
  • Instagram @afroteluricos

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